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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lixo...


     Ando de um lado para outro, dentro de mim. Estou bastante acostumado a estar só, mesmo junto dos outros, ser ignorado é algo que com certa frequência fazem comigo. Sou composto por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
     Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus. Mas, tantos defeitos tenho. Sou inquieto, ciumento, áspero, desesperançoso... Embora amor dentro de mim eu tenha... Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas... E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa que eles precisam.
     Saí do conforto, me entreguei ao novo, saltando sem paraquedas nesse mundo imenso e perigoso. Longe da segurança e do carinho, tento ser...
     Tá doendo...
     Sinto a velocidade, sinto o vento passando por mim, e o chão se aproxima. Sinto que vou bater. Sem ninguém para me segurar.
     Vai doer...

chuveiro...

Era uma vez um menino, com sonhos, planos mirabolantes e vontades mil de ser feliz... Certo dia, o destino seu algoz, tornou a vida do menino um turbilhão sem fim de tristezas e sofrimento. O menino tentou levantar, sorrir, seguir em frente, mas todos a sua volta sempre faziam o mesmo, cativavam-no para em seguida destruir com seu coração, claro, porque destruir sem cativar, não tem muito sofrimento. Ele tentou falar, mas  foi em vão, na verdade falar causava dor e sofrimento maior. Então ele calou. E o destino continuou. E ele ficou triste, calado... Criativo, o menino desenhou ao redor de si um rosto que todos queriam ver e assim protegendo-se de maus mais profundos, ele desafoga suas tristezas nas palavras, ou debaixo do chuveiro, onde seu choro é camuflado pelo barulho da água...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Prêmios

No último dia 12 de novembro, "o destino do pequeno" participou do 7o festival de teatro na cidade de pinhais. O resultado disso foi que nós do Grupo OBS[cênicos] recebeu as seguintes indicações para as categorias:
Melhor cenário, figurino, maquiagem, sonoplastia, direção e melhor espetáculo.
Recebemos os prêmios de Melhor Iluminação e Melhor Ator!
feliz...



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sozinho...


Nunca foi a primeira opção... Sempre trocado, viveu a margem de tudo.
Você acha que eu sou feliz? Máscara. Veste-a. Para poder suportar a dor que tem sido viver.
Mil sonhos, mil vontades dentro de um pequenino ser que ansiava por amor, carinho, por amigos...
Perdeu, no decorrer dos anos, pessoas que amava, e morria um pouquinho. Quando maior, descobrindo-se colorido na vida, tentou pintar o mundo a sua volta. Conheceu pessoas, permitiu-se cativar, entregou-se... Sempre esperando dos outros atitudes que ele mesmo teria, ficou decepcionado. Sempre trocado, ignorado pelos outros e até pelos mais importantes, morria um pouco mais. Sofria em silêncio.
Engoliu o orgulho, diversas vezes e mostrou-se em carne viva,em vão...
Morreu mais um pouquinho...
Ouviu uma vez "preferi mesmo ficar com eles do que com você", "ficar com os outros é involuntário, nem lembrei de você"... 
E morreu mais ainda...
Ele que sempre sofreu, que sempre se adaptou, que sempre entendeu a todos, que sempre buscou o melhor, que sempre ajudou os outros, que várias vezes abdicou de almoço para ajudar os outros... Ele que desistiu do seu maior sonho, não por vontade própria, sofreu sozinho e se reinventou. Ele que só queria ser alguém fundamental e inesquecível na vida de alguém, não conseguiu...
E morreu, de novo...
Ficou triste, pensou em fugir, foi incompreendido, e infelizmente pensou até em morrer, porque seria fácil, e como um amigo que também sofria,  lhe disse uma vez "ninguém sentiria falta mesmo"...
E o que mais me preocupa é que de tanto morrer aos pouquinhos, não sobre nada mais do que uma recordação, que somente ele mesmo lembrará...



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Lispector... Eu...


Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesmo. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade, mas estou preso dentro de mim. Sou como você me vê, posso ser leve como uma brisa, ou forte como uma ventania, depende de quando, e como você me vê passar.
Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso. Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar, eu me perderei, e por me perder eu te perderia. Por enquanto estou inventando a tua presença... O que me atormenta é que tudo é 'por enquanto', nada é ' sempre'.
Ando de um lado para outro, dentro de mim. Estou bastante acostumado a estar só, mesmo junto dos outros. Sou composto por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus. Mas, tantos defeitos tenho. Sou inquieto, ciumento, áspero, desesperançoso...  Embora amor dentro de mim eu tenha... Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas... E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa que eles precisam.
Já que sou, o jeito é ser. Simplesmente eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar. Por enquanto tu olhas para mim e me amas. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar.
Sabe o que eu quero de verdade?! Jamais perder a sensibilidade, mesmo que às vezes ela arranhe um pouco a alma. Porque sem ela não poderia sentir a mim mesmo... Sou tão misterioso que não me entendo!
Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas. E assim como a primavera, eu me deixei cortar para vir mais forte...

(adaptação de frases de Clarice Lispector)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Felicidade e leveza... (Ensaio do Pequeno)

Embora tenha parecido que nada deu certo nesse último ensaio, devo confessar que o exercício de leveza e da felicidade do pequeno antes de tudo foi muito bom. Geralmente, sinto internamente todo o conflito e peso desse pequeno, mas durante o exercício existia uma nova energia dentro de mim. Ficou só dentro, vazando pouco para fora, eu sei que deveria ter ido mais e mais e mais além, mas naquele momento oque eu precisava era sentir essa dilatação leve e feliz.
Expandiu dentro de mim. Mas por algum motivo, que não entendo agora, preferi deixar dentro, quiçá para poder entender um pouco mais ou por puro egoísmo de o Kaio querer sentir isso que a tanto não sentia. Suposições!
Mímicas de filmes!
Cantoria e coreografia!
à caminho de primavera...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Descobertas...

No sábado passado tivemos um ensaio extra em virtude de nosso pequeno ter sido selecionado para o festival de teatro de Pinhais... E ainda bem que ensaiamos, porque tivemos uma revelação uma descoberta que estava bem embaixo do nosso nariz e que jamais poderíamos imaginar.

Ensaio completamente depressivo, triste e melancólico... Pequeno sem máscara, vivendo a dor da perda, com o coração dilacerado e o peito aberto. Descobriu seu luxuoso apartamento, suas paredes confidentes de seus momentos insanos, e a descoberta de toda a origem de sua dor e sofrimento. Uma movimentação completamente plosiva e explosiva, numa dança nunca antes dançada, rasgando cada pedacinho de seu corpo. Nova coreografia.

Esses últimos ensaios têm sido de grande valia para nós, porque conseguimos trabalhar e descobrir potencialidades do pequeno, para deixar o espetáculo lindo.

O grande juiz dessa história toda, sua consciência, bate o martelo e sentencia o réu culpado!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pequeno... 01-10-2012

Chove lá fora e aqui.
Pela primeira vez o mundo chorou e comungou da dor desse pequeno. Pela primeira vez o silêncio preencheu o espaço com a força arrebatadora de um sentimento. Com o peso nos ombros, de um casado verde escuro carregado de história, começamos a redesenhar a história do pequeno. Ele não estava tão só.
Chove. E não, não estava pingando na sala.
Choveu dentro dele.
E pela primeira vez ele terminou leve, deixando o peso e a amargura para trás, varrendo os amores, os temores e começando do zero. Sem se arrepender.
Rasgou a pele, rompeu a barreira à caminho de primavera.

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Fazia tempo que não ganhava um presente espontâneo, geralmente ou me presenteio ou tenho que dar diretas quase implorando por um mimo, e ontem Gisele me presenteou com livros, programas e lencinhos, um casaco, e um novo caminho pela estrada que trilhamos juntos - novamente. Obrigado!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

camaleão...

Quando você tenta ser sincero e falar oque pensa e como se sente, acaba se ferrando e frustrando mais do que se ficasse quieto e engolisse mais esse sapo. Meu maior erro é pensar que os outros teriam atitudes que eu teria. Visto a máscara para [sobre]viver a mais um dia, me reinvento, me adapto. Um camaleão da vida que camufla suas feridas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

solto...

Vencendo o medo, cortou as correntes, vestiu-se de asas cor do dia e voou... Saltou do abismo sem temer o infinito, num voo rasante por entre as pessoas, sem ser notado.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

oportunidades...

Não perco as oportunidades de falar aquilo que penso. Aquilo que deve ser dito. Eu falo mesmo doa a quem doer. Sem medos. Embora, tenha muita gente que veste a máscara, se faz de louca, e cala. Cala por que? Falar é tão bom... Estou querendo entender o motivo do silêncio, mas tenho medo do que posso descobrir. Enfim, sou sempre aquele que procura agradar, fazer os outros felizes, consolar, presentear e lembrar... Mas, sou sempre eu que faço, ninguém nunca faz por mim. É sempre assim.
Procuro ser leve...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

memórias...

A lembrança de uma conversa fez-se presente agora. Depois de tudo isso, a decisão de desistir era latente. Nesse julgamento em que estava, ninguém intercedeu pelo meu sonho. E eu havia aceitado o veredicto de que seria impossível. No entanto, a lembrança de uma conversa me fez pensar na decisão. De tão longe, ou não, veio a memória de forma casual. Escutei aquela música que me marcou naquele momento e tudo veio a tona. Serei forte. Vou derreter o gelo do meu coração e lutar.

Existem milhares de estrelas e cada uma delas representa um sonho a cumprir.

obrigado
(kaio gomes bergamin)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

lamento...

Tudo que quero é a resposta correta. Aquela que vai me fazer bem, feliz, completo... Mas vejo seus lábios se movendo, dançando movimento de letras, formando coreografias de palavras que não respeitam a música que quero ouvir.
Estilhaço.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

picnic...

Domingo de luz... Embora a previsão fosse o tempo estar nublado com possibilidade de chuva, o tempo se abriu num lindo céu azul, com um sol luminoso e quente para brindar a alegria que estava por vir... Amigos reunidos, em um parque, rodeados por grama, montanhas, árvores e pássaros. Prelúdio de uma primavera linda!
Estávamos dispostos, felizes, com toalhas coloridas na grama, um mosaico de guloseimas, canudinho com maionese, cup cake, bolos, muito suco, refrigerante e café! Café não poderia faltar. Risos, brincadeiras, cantoria, improvisos, alegria.
Um dia muito fabuloso. Empanturrados de comida e alegria, celebrando a vida, a natureza, a amizade! Muita energia envolvida. Muita infância...
Foi maravilhoso para mim, particularmente, por ter entrado em contato com um Kaio que a muito não via... Completo... Acho que eu precisava disso, principalmente para primavera, por essa energia que cativa, que move, que transforma...
Deixando no passado o lado profano, vivendo esse fabuloso Destino, desejando a Primavera.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

diário de presidiário...

Quem sabe se eu colocar em palavras o quão ruim e angustiante foi a noite de ontem, eu consiga encontrar um caminho seguro. Não era normal eu me sentir daquele jeito, não tinha porque... Estou cansado de tudo. Entre a respiração difícil e o sono que não vinha, imagens permearam minha cabeça. Tentei fugir delas. E eu estava completamente sozinho, sem ninguém, ninguém que pudesse me ajudar... Vi coisas que não quis, ouvi coisas que não quis. Saí pela porta, em plena madrugada, somente com meu pijama, entregue ao frio glacial desta noite enluarada desejando que tudo fosse consumido de uma vez, como uma lâmina amiga que não hesita em seu destino. Andei no frio, afugentando os fantasmas, ficando mais sozinho. Voltei para dentro e penso que o melhor que posso fazer é largar tudo. Na verdade ainda penso. Assumir o fracasso não é sinônimo de fraqueza. Com certeza é melhor do que ficar nesta prisão em que me encontro. Frio. Fome. Há dias que eu não sei oque é uma refeição descente. Há dias que não tenho um olhar de carinho de alguém que me enxergue realmente. Sinto que está acabando. Mas pra quem? Oque esses sonhos significam?
Esses dias têm sido difíceis... não faço nada mais do que escrever, e para que?
Mas quem se importa?
Abdiquei do meu sonho.
Estou perdido no espaço...
Caindo... Sinto meu corpo fraco a cada dia, como se ele estivesse pouco a pouco se desligando, logo eu que sempre foi o oposto do que estou agora... Mas é difícil lutar sozinho, é humilhante esmolar por alguma coisa, é doloroso você ver todos se importando com os outros e você sobrando...
Não suporto mais esta prisão...
(kaio gomes bergamin)

Minutos...

Eu estava ao seu lado, sem dizer nada. Não precisava de muita coisa. Só estar ali...
A gente nunca para pra pensar nesse tipo de coisa, talvez por pensar que nunca acontecerá com a gente. Eu olhava em seus olhos sabendo o desfecho de tudo. Passamos a vida toda contando os segundos, os minutos.
Ali ao seu lado eu sabia que havia lhe dado um pouco da minha vida, e havia recebido o mesmo em troca. Cada minuto que passamos com uma pessoa entregamos a ela uma parte de nossa vida, e consequentemente ela entrega um pouco para nós. É assim... Nos entregamos.
- Fico feliz por ter me dado uma parte de sua vida. - me disse.
Isso me toca tão profundamente que eu repito novamente, com os olhos transbordando. Vem a minha cabeça tudo que eu sempre quis dizer, mas não disse. Seguro sua mão e lhe digo, com toda a energia e sentimento:
- Obrigado por fazer parte da minha vida.
Seu sorriso se ilumina. Escuto um sussurrado "amo você" antes que meus olhos se fechem para nunca mais.
"Amo você" consigo responder, então tudo termina.
(kaio gomes bergamin)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fraseando...

Estou bastante pensativo hoje... Me pego, no ônibus, pensando intensamente na blusa de lã que estou vestindo. Gola alta, marrom, quente, que era da minha mãe. Lembro das situações que vivi com ela. Brinco com o anel que era da minha madrinha em meu dedo. Relíquias da minha família que me lembram de onde eu vim, e oque eu sou. Sorrio pensando como nos apegamos com esses pedaços do passado enquanto aguardamos, por nosso futuro. Aguardamos rememorando...

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Pedaços perdidos, de uma vida quebrada, torta. Menino marginal, mendigo suburbano de carinhos e amores. Junta seus pedaços esmolando para transeuntes, hipnotizados pela sua mesmice, ou somente são pessoas que o ignoram por não ser ele, o menino mendigo, relevante em suas vidas. Negligencia o olhar, o afeto que se torna desafeto, descrença. Junta os pedaços e tenta colar. Esmolando. Olhos famintos de carinhos e cores da primavera.

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Olho nos espelho. Quem é este refletido? Não gosto do que vejo... Não é real, não sou eu, não quero isso... Estilhaça-me, por favor... Recria-me...

extraído de <http://marcia-poeticamente.blogspot.com.br/2008_09_01_archive.html >



(kaio gomes bergamin)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sépia...

Quando tudo fica extremamente estranho...
Pessoas que não falam com você à muito tempo, voltam a falar com você.
Pessoas que te fizeram mal pedem desculpas.
Seu dia está parecendo uma imagem em sépia por causa do seu cansaço.
Um trabalho que você se empenha pra fazer, não vai acontecer.
A bateria do celular está acabando e você esqueceu do carregador.
Você se apaixona mil vezes por mil coisas.
Você se desapaixona mil vezes pelas mil coisas.
Você tem sono...
Tem fome...
E tudo pede mais calma, mais tempo, mais vida...
Você se sente como um retrato envelhecendo.

Quando você pensa em desistir, tudo parece estar afundando, o suicídio da sua alma é inevitável, você faz oque? Você espera oque além do arco-íris? o fim... e só...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Me perco...

Por vezes me entrego aos pensamento e viajo pela minha imaginação. Quando leio, ou simplesmente estou só cansado da monotonia e das cores do mundo, me perco dentro de mim. Me perco facilmente dentro de mim... Aumento o volume da  imaginação, mergulhos nos meus devaneios. Pode acabar o mundo que eu não vou perceber.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Particular...

Tenho perguntas nas cabeça. Quero suas respostas. Mesmo que doa muito sabê-las.

Estou com os pés no chão... Mas a cabeça está no céu, voando pelo espaço, com mil cores e ideias, sonhos e desejos... Minha forma particular de suportar viver.
(kaio gomes bergamin)

extraído de http://umcaminhoparaatransformacaodamente.files.wordpress.com/2010/12/fantasty.jpg?w=510

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Jardim...

     Sinto meu olho arder com as lágrimas que insistem em brotar, denunciando meu sentimento. Ser forte é oque eu tento ser... Em seus olhos me perco mais uma vez. Sorrio da memória daqueles momentos em que tudo eram doces e bolas de sabão. Olho...
     Percebo que a vida nos concede alguns pouco, raros momentos de felicidade que podem durar quem sabe, dias, anos, segundos... Tudo depende da sorte de cada pessoa. A lembrança desses momentos fica guardada conosco para sempre, se transformando em um porto seguro, um jardim só nosso, um país da memória ao qual podemos sempre voltar, quando quisermos...
     Estou nesse jardim. Ansiando por paz de espirito, afugentando as sombras do meu coração...
     A minha visão fica nublada, pisco os olhos e meu jardim, meu país da memória desaparece, rolando rosto abaixo, trazendo-me à realidade. Aceito.
     Sigo em frente. Desejando o próximo rencontro.
     Afinal essa é uma das forças que me faz continuar...
(kaio gomes bergamin)


(extraída de  http://ldecaralimpa.blogspot.com.br/2009/11/deus-e-eu-no-meu-jardim.html )

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Carta...

Ontem uma amiga minha passou uma atividade para os alunos de teatro muito interessante e que mexeu demais comigo. Na hora eu não fiz porque estava acompanhando a aula, por isso resolvi fazer agora...

Carta do Kaio de hoje para o Kaio de 9 anos de idade.


Oi pequeno Kaio... Como você está?
Eu estou escrevendo do futuro para você. Do ano de 2012. Que legal, né?! Dizem que este é o ano do fim do mundo, mas eu ouvi isso tantas vezes que duvido muito ser verdade. Tem tantas coisas que eu quero falar para você que seria mais fácil eu gravar um vídeo. Vou tentar escrever mesmo... Lá vai...
Kaio, não se preocupe com essa solidão e com a falta de amigos. Você tem pessoas incríveis ao seu lado, pessoas que te amam muito e sempre te ajudarão! Seja você mesmo, sem medo, mesmo que na escola te chamem de viado, cdf, e excluam você das brincadeiras e jogos. Seja forte menino. Continue estudando, embora você já saiba oque você vai fazer quando crescer, estude, saber nunca é demais. Não se mortifique por ter colado na prova de estudos sociais, afinal você não conhece direito a cultura local... Quando você estiver batendo naquele menino, na saída da escola porque ele xingou a Mãe, acerte um soco no olho dele, não se preocupe se ele vai se machucar, ele mereceu mesmo, mete a mão sem dó! Leia mais... Escreva mais... Quando você entrar no segundo grau as coisas em relação às amizades vão melhorar um pouco e você vai entrar em contato mais intenso com a sua arte. Aproveite. Não ligue para as pessoas quando elas te falarem que você não canta bem, não dança bem ou mandarem você cantar feito homem. Sua voz é bonita e especial, não se traumatize com comentários de gente que não sabe de nada. Dance mais, cante mais, atue mais... Valorize mais quem está com você.
Desafie-se sempre. Tente sempre ser o melhor de você mesmo!
Não se entregue tanto às amizades, você poderá se machucar com isso. Entenda que muitas pessoas ainda vão te desapontar e magoar, mas surgirão muitas outras que farão sua vida feliz e valer a pena. Abra seu coração para o mundo mas cuide para não ser feito de bobo, tem muita gente mesquinha e egoísta.
Cuide mais da sua irmã, cuide para que ela siga o caminho do bem e que ela escolher. Aproveite e brinque muito com a Mãe e com a Vó, porque elas nunca vão te abandonar! Elas serão seu esteio, seu porto seguro e sempre estarão ao seu lado. Aproveite e curta mais o Pai... Mesmo que ele tenha magoado você, brigado com você, ele quer seu bem, e não fique triste por ele não assistir todas as suas apresentações, afinal ele está trabalhando para que vocês tenham uma vida leve e confortável. Reze, ore, por todos, não se esqueça de quem você é, nunca! Encare as provas da vida com a cabeça erguida. Fale oque você pensa, seja sincero mais ainda do que você é. E quando você estiver de cama, doente, e o Pai vier se despedir de você porque ele estará indo trabalhar, levante e olhe pra ele, diga que o ama, dê um abraço nele...
Chore... Sorria...
Você vai sofrer ainda, mas você vai superar. Se não jamais você receberia esta carta não é?!
Você vai morar morar em outra cidade, vai trabalhar, vai estar com pessoas maravilhosas. Afugente o medo e a tristeza, e quando elas te magoarem, tente entender. Brinque bastante com a Mell.
Você vai perder o medo de dirigir, mas tenha cuidado, principalmente na BR.
Evite pintar o cabelo de preto azulado, ainda mais se sor tintura de longa duração... Ixi! Aproveite a coloração vermelho violino, você vai ficar bem com ela.
Registre cada momento, fotografe, filme...
Experimente comidas diferentes. Cozinhe.
Não seja dependente de ninguém.
E quando precisar, ligue pra mãe e chore com ela no telefone, ria com ela, vocês dois vão precisar bastante um do outro, mais do que o normal.
Lembre-se que ser feliz é difícil e que você provavelmente vai errar bastante, mas nunca desista...
Ser artista é tocar a alma das pessoas, mas para isso você tem que tocar a sua alma primeiro!
Um beijo pequeno Kaio.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

livros...

Me refugio no mundo da literatura, dos filmes e seriados, porque viver de verdade é como uma obra de ficção científica de baixa qualidade. Entende? Eu penso nisso sempre...

imagem extraída de http://reporterrafaelcoimbra.wordpress.com/2010/03/11/pilha-de-links/

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Surpreendente...

     Chego ressabiado para mais um dia de trabalho. Sol, clima agradável, e sinto uma vontade louca de que tudo fique bem. Inicio a aula e pouco a pouco me surpreendo com o que vejo! Caraca! Esses alunos são bons mesmo! Feliz depois da aula me preparo para o ensaio da cena musical, só que estou sem voz. Merda. Quem manda se empolgar dando aula e querer representar uma velha louca pra dar o exemplo de interpretação? Burro! Ensaio mesmo assim. Inicia as primeiras notas da melodia feliz por conseguir cantar sem dificul... não. Tô parecendo uma gralha na uda vocal! Deus! Que triste! Mas... enfim... Sigo ensaiando, me contendo um pouco. Hora da aula da tarde. Me surpreendo novamente. Fico feliz. Depois da aula recebo um convite inesperado de uma amiga. Aceito. Vamos ao mercado comprar os ingredientes para nosso jantar de fim de semana. Na volta do mercado paramos para pegar outra amiga. Somos um quarteto.                                Deliberadamente louco, feliz e expressivo. Sorrio.
     Entre uma descoberta de um Karaokê on line, e fornadas de cup cakes, descubro o quanto eu precisava dessa saída com amigos, para rir e ser feliz sem preocupações. Filmes na madrugada.
     Domingo começando bem... Risos, almoços em plenas três da tarde. Estou feliz. Fotos, Brigadeiro, sorvete, Morangos, Torta Grega, Arroz com ervas e refrigerante regam nosso dia. Risos. Canto. Ideias experimentais e equívocos entre nomes/pessoa/animal. Afinal quem é a Cléo/Cecília que se atira da escada? Gata? Humana? Vesga? Um dia descobriremos a verdade! Penso eu!
     Somos Felizes...
     Somos Artistas...
     Somos Amigos...
     Somos Cantores...
     Somos Cozinheiros...
     Somos Diferentes!


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lamentos...

     Sou uma tentativa. Um rascunho rasurado de promessas e desejos, de sonhos que jamais se realizarão. Sou a conformação, a adaptação e a tristezas, misturadas. Outrora eu com sorriso ingênuo, verdadeiro, hoje marcado pelas pegadas da vida.
     Sou o fracasso eminente, o grito preso na garganta e o rosto manchado por lágrimas. Sou aquele nunca entendido. Nunca ouvido. Sempre implorante. Sempre carente. Sempre sozinho. Sempre o que teve qualidades, sempre o que teve talento, sempre o que 'esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta'.
     Sou... Fui... Era...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pode acontecer...

Está frio... Engraçado que nesta semana fez sol, calor, como um verão fora de época. E agora frio. Sinto medo desse tempo maluco. Me olho no espelho checando se está tudo decentemente alinhado em minha pessoa. Meu cabelo muito curto ainda não combina com meu rosto e meu suéter azul/lilás parece estar largo demais. No caminho do quarto até a cozinha, tomo minha caneca de café com leite e sigo para o trabalho. No ônibus percebo que as pessoas estão me olhando... Olho para o cara ao meu lado que deliberadamente me encara, e não desvia o olhar. Me atenho ao fato de o sol estar iluminando meu rosto e que essa luminosidade deixa meus olhos num tom de verde-esmeralda-clara fascinante, e não o recrimino por fitar assim tão rara, beleza. Ok. Eu pirei agora eu sei, mas ou é por isso que ele me olha ou então porque tem um chifre de unicórnio de chocolate nascendo na minha testa. Entre as duas prefiro a primeira. Você não?!
Ele continua olhando... Ai que coisam mais deselegante! Olho para trás tentando disfarçar e vejo um rapaz me olhando e me medindo dos pés à cabeça. Sorri para mim e eu faço minha cara de "hello-pers-my-little-pony". Viro e continuo olhando para um ponto fixo em minha frente. Não está muito fixo na verdade porque o ônibus está em movimento, mas... Você entendeu muito bem... Percebo então que o motivo desses olhares ao meu redor deve ser por um motivo. Percebo isso quando a música que estou ouvindo em meu celular muda para uma musica mais rápida, feliz e dançante. Eu expressivo que sou, começo a mover os lábios como se estivesse cantando, imagino a coreografia e vez ou outra eu giro a cabeça, movimento sutilmente as pernas em minha coreografia particular. Estou sendo o máximo discreto possível, certo? Enfim, reprimo meu instinto de intérprete-bailarino e permaneço só no mundo da imaginação. Desço do ônibus e pego o livro que estou lendo essa semana e inicio minha leitura. Quem pode me reprimir por ser feliz e expressivo? Afinal eu não incomodei ninguém não é? Isso é uma coisa que pode acontecer com qualquer um... Pelo menos eu não estava ouvindo música sem fones de ouvido e dançando pelo ônibus como se não houvesse amanhã. Leio.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acontece, né?...

     Acordo e me deparo com um sol maravilhoso entrando pela minha janela. Sorrio e saio da cama cantarolando pela casa. Tomo meu café com leite, arrumo minhas coisas e saio para mais um dia de trabalho  agradecido por tudo que tenho e extremamente feliz. Entro no ônibus, e não me deixo abalar por não ter lugar onde eu possa sentar. Me abalo quando entra no ônibus um rapaz, em plena sete da matina, com um futum terrível... Ele é sem dúvidas a versão humana do Pumba e nós a savana inteira que foge dele! Penso por um momento e fico triste com esse pensamento, pois eu não o conheço, não sei como foi sua noite, não sei oque aconteceu com ele. Penso também que higiene é fundamental, e um desodorantesinho não faz mal a ninguém, a menos que você tome banho com ele e fique fedendo a perfume barato... Nossa!
     Troco de ônibus, sento num banco, finalmente. Tiro de minha mochila um livro para ler. Nesse tempo todo, calculei que nesse trajeto até meu trabalho matinal consigo ler 25 páginas. Informação inútil para você que está lendo, mas é verdade. Abro o livro. Inicio minha leitura e sou interrompido por um DJ de ônibus ouvindo rock em seu celular, e pior sem fone de ouvidos, não não e o pior sem fone de ouvidos, não não e pior sentado atrás de mim! Deus! são 7h30 da madrugada e a pessoa tem a audácia de fazer isso comigo? Com o Mundo! Respiro, tento me concentrar, respiro, não consigo me concentrar, respiro, olho deliberadamente para trás com a cara malavada que aprendi com minha mãe que eu amo tanto... E adivinhe? Ahá! Funcionou... Ele me olhou intimidado, abaixou o volume. Não foi oque eu queri mas me virei para frente novamente, me sentindo triunfante pela conquista. Preciso lembrar de ligar para agradecer minha mãe pela valiosa lição que ela me ensinou: Cara de Briga!
     Leio, leio e viajo para o mundo da literatura...
     Desço do ônibus pensando como seria bom o mundo se cada pessoa tivesse senso de humanidade e educação. Solto uma lufada de ar descrente de que isso seja possível. Enfim... Caminho para meu emprego matinal ansiando por minha caneca de café fumegante e acolhedora!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Dias de inverno...

     Estou diante do notebook, olhando fixamente para a tela, mas não consigo me ater ao que tem nela. Olho para um passado próximo onde estive em posição de xeque. Abandono essa viagem ao passado. Checo meus e-mails, uau tenho dez mensagens! Sou extremamente popular, para sites comerciais. Patético.
     Vou tomar um bom e velho café, desejoso de que ele sim me aqueça e faça pensar que há algo bom... Ontem descobri que tudo que a gente faz com amor, retribui com lágrimas e dor, machucando, mas também amando e sorrindo. Dicotomia. Faca de dois cumes que insiste em deixar na boca o doce e o amargo. Café... É aí que quero chegar. Me sinto por um triz, pensativo... Num abismo letal, onde a única saída é a dor e o sofrimento. Cala a boca! não quero pensar mais nisso, afinal olho o dia lindo que está lá fora, o céu num azul estonteante convidando pra mais um dia desse inverno congelante!
     Tenho tanto trabalho para fazer, tantas pessoas para ignorar, coisas menores para fazer e minha vida pra organizar... Subo as escadas bebericando essa xícara de café e pessoas passam por mim... Custa ser educado e dizer bom dia? Custa ter boa vontade para fazer as coisas sem que tenhamos que implorar por isso? Nossa estou num daqueles momentos em que eu queria ter em mãos uma daquelas tortas de desenho animado para que eu pudesse acertar a cara desses tipinhos. Mas penso que precisaria de um baita arsenal dessas tortas, e esse arsenal seria capaz de acabar com a fome mundial, então me contento em sorrir e xingar mentalmente. Pensa comigo, se cada um cuidasse da sua vida o mundo seria um lugar muito melhor para viver! Chego na minha sala com um arrependimento batendo no peito por eu ter tomado todo o meu café antes de chegar na minha sala... Ah...
     Sento-me diante da minha pequena janela que dá pro mundo, adoro ser poético, mas sei que tem gente que não entende a poética então eu escrevo: Sento-me na frente do notebook. Nenhum recado, nenhum e-mail, nenhum trabalho a ser... Nenhum e-mail? É isso mesmo? Nenhum e-mail? Droga onde estão essas malditas lojas que ficam enchendo minha caixa de entrada de propagandas e me causando a levesensação de popularidade? Ok. O mundo tá de brincadeira comigo.
    Pra que estou olhando site de viagens na internet? Por acaso eu vou viajar? Pra algum lugar suntuoso ou histórico ou simplesmente um lugar? Quem sabe... Viajar, sair do mundo, sem deixar rastros ou notícias, sentir a liberdade total é uma ideia fascinante. Quem sabe... Posso ir... E quem sabe voltar...
     Enquanto isso me contento em comer alguma coisa e tomar mais um café. Penso em mim com o pé na estrada, mochilando quem sabe, mas com a certeza de ter pelo menos uma cama descente para eu dormir e um chuveiro quente pra eu tomar banho, porque eu não sou obrigado a ficar desconfortável! Acho que é uma ótima ideia, só eu. Não muito diferente do que agora. E café.
     Desço pesadamente os degraus da escada em direção à cozinha pronto pra me reabastecer de café.

foto de Gabbi Ern

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Leve...

     Estou leve... Abro os olhos, sinto um formigamento pelo corpo provocado pelo pesadelo que tive a pouco. Foi ele que me fez acordar. Levanto, sento na cama com a sensação de leveza e formigamento. Alongo braços, pernas e pescoço. Ligo o aquecedor e olho para fora da janela e vejo as brumas pelo jardim, pela cidade. Levando vou rastejante para o banheiro, desejando mais alguns minutos de sono. No caminho do banheiro, ligo a cafeteira. Saio do banheiro, mudo minha roupa e bebo meu café, agora sentindo-me mais desperto. Vou até a prateleira e escolho um livro... Caminho para fora rumo ao meu trabalho matinal.
     Começo bem meu dia. Reunião de trabalho. Meu deus eu odeio reuniões matinais, muito pelo fato de eu ter que socializar quando ainda estou sonolento e mais ter que prestar atenção e raciocinar, sendo que meu cérebro só funciona plenamente após às onze horas. Suspiro. Vou para a reunião. Vejo as bocas abrindo e fechando, cabeças balançando. Do que eles falam? Tento, prestar atenção... Mas a única atenção que tenho é minha mente criativa que fantasia músicas saindo das bocas... Ok, você está pirando. Olho para todos envolta e penso se seria um despautério eu sair para tomar café... Odeio forçar meu cérebro fazer uma coisa que ele não quer: pensar pela manhã...
     Percebo que o mundo está diferente, as pessoas nessa época do ano mudam drasticamente... Mas ainda tem gente que me surpreende.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Um dia normal...

          Entro na sala com uma caneca de café, bem forte, nas mãos. Sento em uma poltrona perto da grande janela de vidro que dá para o centro da cidade. Tomo um gole de café. "Droga! Que quente!". É ridículo mas fico respirando feito um cachorrinho ofegante até passar a ardência da queimadura. Estranho esse cinza que desbota o céu, dando a impressão de que vai chover a qualquer momento. Ler talvez seja uma boa saída para mim que estou, como posso dizer? Busco uma forma eufêmica de dizer que estou "de saco cheio!" mas esta me parece o melhor termo mesmo. Enfim... Ler... Mas eu estou tão cansado dessa ladainha de ficção onde o resumo do livro diz: "Tudo que fulana queria era ser uma adolescente normal..." Porra! Onde estão as boas histórias, que te arrebatam por inteiro, que te jogam naquele mundo e te fazem conviver com aquelas personagens? Outra história de vampiros, lobisomens e bruxas, não! Pelo menos se fossem originais, se fossem criativas... Deus! Ok. Talvez eu esteja sendo um tanto quanto radical, mas não consigo deixar de pensar nisso...
          Desisto de ler, levando e olho para fora da janela, percebo que o vidro está embaçado. Me aproximo e levanto lentamente meu dedo na esperança de uma epifania artística e me sagrar como o maior expoente do desenho espontâneo de vidro embaçado da história da arte contemporânea, mas só escrevo meu nome mesmo seguido de uma carinha sorridente. Bloqueio criativo. Odeio. Na minha cabeça eu tenho ideias de desenhos fabulosas, paisagens campestres, mulheres nuas em prados e campinas, cascatas, mas na hora do vamos-ver-senhor-picasso, sai oque? A mesma casinha quadrada, com a mesma árvore e aquelas três flores no canto da folha... Ah... ok estou ficando depressivamente irritado com minha impotência artística. Sinto meu dedo frio do contato com o vidro, percebo as gotículas de água escorrendo por entre as letras rabiscadas na janela e constato que isso é o mais próximo da profissão de artista que eu vou chegar. Suspiro longo e cansado em direção ao meu quarto. Entro, grato pelo aquecedor estar funcionando a pleno vapor. Me sinto de algum modo estranho, muito próximo do verão. Talvez não, eu sei foi um exagero, mas fato é que o quarto está realmente quente a aconchegante. "Droga" se eu não tivesse deixado minha caneca de café na sala, ela seria muito bem vinda agora. Sento em minha cama, ligo a tevê, pulo de canal em canal na esperança de encontrar algo que não sejam bundas cantando, ou pessoas extorquindo até a última gota do sofrimento alheio em prol de pontos a mais no ibope. Mas não tem nada além disso! O jeito é assistir um bom filme ou seriado, acompanhado de uma caneca quentinha de café e outra de chocolate quente e um punhado de guloseimas pra fazer qualquer um engordar e atingir altos índices de açúcar no sangue. Saindo do quarto a contra gosto, por causa do aquecedor e caminho até a cozinha pensando na possibilidade de transferir todo o meu apartamento para dentro do meu quarto por causa do aquecedor. Mas penso que seria mais fácil ter um sistema de aquecimento central no apê. Escolho no armário meticulosamente cada guloseima, cada bombom, doce, que vai corroer lentamente meu corpo como um praga provocando uma morte açucarada. Dou risada. Morte açucarada? Gargalho por pensar nesse termo. Bom na verdade eu só abro o armário e vou pegando tudo que tem pela frente, devolvendo o pacote de macarrão, porque, bem, ele não será de grande serventia estando cru. E eu não vou cozinhar agora! Quero comida fácil. Rápida. Pronta. E penso no porque não ter uma filial de cada fast food que eu amo na minha cozinha. Bem porque isso é insano. E caro. E fabuloso. Vou patentear a ideia... Café, chocolate quente, guloseimas... Volto para meu quarto feliz por entrar em meu caribe particular. Que? O quarto é meu e eu chamo como eu quiser! Meu Caribe! Isso porque ele tá quente, porque do contrário chamaria como eu chamo o restante do apartamento, imenso-cubo-de-gelo-polar.
          Pressinto mais uma noitada daquelas!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ele...

Ele sempre via o mundo de uma forma diferente. Ele sempre...
Ele sabia que aquele momento era especial e que merecia um cuidado. Isso faz parte da natureza dele, quem pode julgá-lo?
Então ele correu para dar tempo de fazer tudo da forma como ele havia imaginado. Com muito custo ele conseguiu empacotar o presente da forma como ele havia visto uma vez. Tudo parecia impecável, no seu lugar... As margaridas perfumadas, a cafeteira acabara de passar café, e o céu com um azul profundo que lhe causava arrepios. Por entre as horas que se passavam ele esperava ansioso por descobrir oque lhe fora reservado nessa história toda. Fosse oque fosse. Mas que estivesse ali, como lembrança de algo especial. Ele sempre pensara a vida inteira nos outros, presenteava sem motivos aparentes, surpreendia a todos com um carinho que havia nele. Mas o tempo lhe mostrou que o egoismo está mais presente na vida das pessoas do que o carinho, as pessoas absortas em seus mundinhos pensam nelas mesmas, promovem elas mesmas, fazem para elas mesmas. E ele se entristeceu, e uma dor surgiu em seu peito. E chorou. Mas ninguém poderia secar suas lágrimas porque todos estão muito ocupados ensimesmados...
Esperançoso ele esperou por quem sabe uma surpreendente atitude que lhe mostrasse que ainda havia motivos para acreditar... Seu coração dizendo "bata" a cada bofetão desse sofrimento que ele sentia, a essa solidão que lhe doía as marcas deixadas pela vida como lembrança de que talvez ele devesse aprender a pensar nele mesmo, esquecer do mundo, de tudo e todos. Olhar as vitrines e pensar não em quem ficaria bem ou com quem combinaria, mas sim se ele ficaria bem, se combinasse com ele.
Mas ele não consegue, por mais que as pauladas e bofetadas continuem vindo...
Ele chora por isso, porque não consegue abdicar de quem ele é e do que seus pais lhe ensinaram. E lembra daqueles tantos aniversários, páscoas e natais no qual via a lágrima nos olhos de seus pais que não poderiam  lhe dar um presente, além do amor incondicional... Mas as circunstâncias eram diferentes naquela noite.
Ele desejou outra vida.
Ele desejou uma surpresa.
Ele desejou os dias de criança de volta para quem sabe poder aproveitar mais.
Ele desejou a canção ao invés do silêncio.
Ele por entre as lágrias prometeu não mais sofrer pelo egoismo do mundo.
Olhou-se no espelho... Enxugou o rosto... Sorriu tristonho... E saiu pelo mundo...
Alimentando uma vã esperança de... Não... Ele só saiu mesmo, mais feliz por ser quem ele é.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Olá...



Olá Mundo, espero que me escute e me perdoe o atrevimento de falar a verdade. Aqui está alguém que eu estava com saudades e penso que poderia ser a melhor parte de mim. Estou tentando fazer a coisa certa.
Mas estou cansando de me justificar... Agora há uma guerra entre as vaidades, mas tudo que vejo é meu sonho e eu lutando pelo que sempre quis
Eu estou perdido, na beleza de tudo que eu vejo. O mundo não é tão mau como todos dizem ser... Se todos os homens e mulheres, parassem para compreender isso esperançosamente, o ódio diminuiria e o amor começaria... E os sonhos seriam reais...
Talvez, eu esteja apenas sonhando alto, porque eu estive sempre esperando meu sonho todo esse tempo lutando pelo que sempre quis e sempre soube.
Tudo o que eu não posso ser, é tudo o que eu quero ser e é por isso que eu preciso acreditar em mim.
Mas está difícil...
E estou sozinho...


segunda-feira, 23 de julho de 2012

penso

Quem sabe eu esteja correndo para o caminho errado...
Aos 5 anos você alimentar um sonho, é engraçadinho. Aos15 anos alimentar um sonho é inspirador, para todos. Aos 25 anos é lamentável e preocupante... Não há nada de errado, certo?! Tentativas frustradas, ilusões destruídas. Quem sabe a vida só esteja te mostrando que existem outras possibilidades, e que é melhor você parar de dar murro em ponta de faca... Quem sabe? Existem vários professores excelentes, e eu posso ser um deles... Talvez o resto não seja pra mim, afinal até quando eu vou me enganar?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

talvez, às vezes...

às vezes eu gostaria de não me afetar com as palavras... elas me afetam muito, elas tem um significado e um peso muito grande. às vezes eu gostaria de não me importar da forma como me importo com as coisas que me rodeiam, e ter uma vida mas leve... às vezes eu queria ser leve como uma singela melodia, harmoniosamente composta. às vezes eu... acho que não sei mais. pensei que era uma boa pessoa, mas sinto que não. não sou visto. não sou ouvido. não sou percebido. não sou entendido. não. sou.
talvez se eu não me importasse tanto com pequenos gestos... talvez se aquilo que ficou por dizer fosse realmente importante, mas o desinteresse me leva a pensar se é importante para mim... talvez se eu não fosse tão intenso e entregue, às vezes fosse tudo diferente, talvez...
às vezes, talvez...
e se eu parasse de me importar comigo mesmo?
não sei... talvez...
to arrasado, triste, e descrente de... talvez... às vezes...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Escrevendo...

Tomo café para conseguir me aquecer... Faz tanto frio lá fora, que temo, chegue a nevar...
Não me surpreenderia nada, do jeito que o mundo está, neve agora não sera de se estranhar.
Enquanto visto meu blusão de lã, preparo outra xícara de café e pego um livro para ler, percebo que estar sozinho não é tão ruim quanto imaginei.
Mas sinto falta.
Não sei, sozinho eu pude encontrar com uma parte de mim que a muito não conversava, uma parte pequena e que anda rindo à toa pelas ruas da cidade por ter simplesmente comprado alguma coisa... Vaidoso... Feliz pelo pequeno agrado que a tempos não recebia, nem dele nem de ninguém. E caminhou, mesmo no frio, e caminharia mais se pudesse. Percebeu pequenas coisas, atentou-se a outras, repensou fatos... Esse encontro me deixou mais solidário, oque não é estranho porque fui criado assim, mas pela correria da vida, perdeu um pouco disso.
Estou mais sensível...
E [me] sinto diferente das pessoas. Estranho?!
Esperando por mensagens, por ligações, por cartas...
Tomo meu café... O Blusão de lã mostra-se muito mais útil do que esperava... O livro se intensifica e me surpreende...
Sinto falta ainda...



terça-feira, 17 de julho de 2012

Sonho...

Olho tudo que se passa ao redor de mim e nada me cativa, nada me importa... Entre tantos, entre todos... Dizem que você não escolhe o caminho da Arte, Ela escolhe você... E quem disse que seria fácil? Quem acha que é justo? Olho ao redor e ninguém pode me responder. Minha cabeça fervilha de perguntas, de questões que nem eu sei responder, e só me perco ainda mais nesse vazio de estar e ser. Eu sei oque sou, sei oque eu quero, e estou lutando por isso, mas não estou mais com forças, não estou mais armado para essa batalha... Estou cansado... Quase desistindo... Sucumbindo...

Não é justo...
E a consequência é que estou entregando os pontos, sim...
Pelo menos hoje, essa semana quem sabe eu entregue de vez os pontos de declare-me o maior derrotado que existe, o maior fracasso e decepção que já ousou pisar na terra!
Estou sozinho...
Está frio...
Chove...

Hoje não acredito em milagres, nem em anjos nem em mim... Já dizia Pessoa, e se encaixa perfeitamente pra mim: "Não sou nada, não posso querer ser nada. A parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo"
Sonho...

Quem sabe um dia eu me perca em meu sonho, eu fique em sonho, eu esteja em sonho e eu viva o sonho...
Talvez. Enquanto isso...


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Que?...

Que bicho é esse que se tranca na escuridão? Que escuridão é essa que protege o bicho? Dúvidas escuras me acometem ao tentar decifrar esse enigma da esfinge...
"Defira-me! Não vai me decifrar nem me devorar, nunca! Você não quer, você não se importa, você não... Em meio a alegria repentina de viver na claridade que o sol abria, e um toque que jamais sentira, entregue ao abismo, absorto, faço-me visível, e você..."
Que bicho é esse que se torna visível e que apresenta-se assim? E que tem certeza cristalina do que sente, que é levado a outro mundo só por sentir o toque, mas que é despedaçado com a frieza do olhar? Que bicho é esse que adoece, que não é cuidado, e que não entende porque não o entendem?
Quem se importa?
Acho que nem ele mesmo se importa com as coisas...



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Inquietude...

Sou assim... Inquieto... Expressivo... Explosivo... Criativo!
Mal estreio Pequeno, já sonho e anseio por Primavera... Ansiando por dar vida as minhas aspirações artísticas, escrevo, componho, sonho e desejo. Pequeno não está pronto, eu sei; teremos que trabalhar muito para conseguir deixá-lo com a presença e vida da primeira metade do monólogo, fato, mas não consigo controlar essa minha mente brincalhona que insiste em voar. A decisão por primavera foi repentina, um estalo ou epifania do que eu realmente quero fazer, de como provocar-me-ei...
Primavera está diferente da estética que eu sigo, embora o tema recorrente entre a trilogia seja sempre o mesmo. Escrevo... Partindo de uma centelha de um sentimento do Kaio, crio, recrio, transformo em dramaturgia-texto para depois transformar em dramaturgia-corpo, dramaturgia-voz...
Drama... Drama... Drama...
Perdas, solidão, desesperança, abismo sentimental, onde me lanço a escuridão sem nada me segurando... Sempre foi assim...
Perdido, mas salvo. Sozinho, mas comigo. Sorrindo, mas triste.
Esse sou eu? Talvez...
Sempre esperando por alguém, por alguma coisa...
Fiel...

"Fitas amarelas para cada dia distante de você..."


Desejo começar logo esse processo de Primavera...





quarta-feira, 27 de junho de 2012

Estreia... Nascimento!

22.06.2012
19 horas

Azul iluminou aquela cobertura que tanto tempo fez-se presente para mim...
Tudo estava igual, repetido... Monótono...
Dança...  no escuro, com vontade de gritar...
Valsa pelo espaço tortos passos, incertos, temerosos e saudosistas... Seria aquela a primeira música dançada?
Repete-se, cambaleia, petrifica. Pose.
Engana-se...
Num rompante, livra-se da máscara, torna-se pequeno, real...
Relembra...
Pela primeira vez consegue falar aquilo que sempre quis dizer, falar oque senti, falar mesmo sem ter a certeza de uma resposta...
Canta...
Despede-se daquilo que fez parte de sua vida...
Segue...




O Destino do Pequeno
Direção Gisele Bauer
Criação: Kaio e Cac Kinas
Texto e Atuação Kaio Gomes Bergamin
Assistência Técnica: Matheus Gonzáles e Karoline Zambon
Fotografa Desirée Tamanini


terça-feira, 19 de junho de 2012

Geral...

Ontem tínhamos ensaio geral, no teatro onde estrearemos.
Tensão...
Primeira vez na cobertura de Pequeno Alvin... Definimos a luz, e coisas novas surgiram... Arrumamos tudo para a passada técnica. E foi muito bom... Após a Big fez algumas considerações sobre a passada, relembrou algumas intensões e marcações, rimos e definimos de vez toda a parte técnica. Ensaio 2! Como se fosse a estreia! Tudo se encaixou, penumbra e voz, fogo e azul, música e máscara, pequeno e dança!
E ele cantou no final, num arrebatamento, além da técnica, entrega, explosão...
Estrearemos!

O DESTINO DO PEQUENO
22, 23, 24 de Junho
19 horas
Teatro Rodrigo D´oliveira (Rua Carlos de Carvalho,418, Centro, perto dos tubos Praça Osório e Visconte de Nacar)

Sexta-feira apresentando o Bônus a entrada fica R$10
Sábado e Domingo - R$30 inteira, R$15 a meia (estudante, classe artística, bônus da casa cor e bônus do teatro.

Direção de Gisele Bauer
Texto e atuação de Kaio Gomes Bergamin
Criação de Cac Kinas e Kaio Gomes Bergamin
Assistência Técnica de Matheus Gonzáles e Karoline Zambon

PRESTIGIEM!!!!!!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amiga verdadeira... Big

11.06.2012

Diário de Bordo do Pequeno...

Casa da Cultura de Campo Largo, serviu como cenário para o tão esperado encontro.
Big, uma grande amiga e artista, que faço questão de pintar com as cores que ela mesma tem, concretizou esse presente maravilhoso de me dirigir nesse projeto Pequeno.

Começamos pós adaptação do monólogo, de arena corredor para palco italiano (por causa do espaço que apresentaremos). Big passou alguns exercícios de clown para mim, para ajudar no monólogo interno dessa personagem, e em seguida re-coreografamos as primeiras coreografias e cenas...

Impressões...
O trabalho de clown foi algo que eu já havia experimentado antes, mas a proposta da Big ia além do que sonhava minha vã filosofia. Uma entrevista de emprego. Para um recém formado. Repetida milhares de vezes com milhares de estímulos e sentimentos. Foi bastante angustiante viver um clown que não fosse meu Kio. No início foi dificílimo e frustrante... Trabalhamos a alegria total do pequeno, e embora eu estivesse me sentindo totalmente feliz e sentisse meu corpo pulsando essa alegria, não consegui deixar ela sair pelo meu corpo em movimentos. Seguimos com outros estímulos. Vou me prender aos que muito me marcaram, como por exemplo: Qual seu nome? ALVIN explodiu minha voz com uma potencia que não era do Kaio... Alvin... Nomear o Pequeno,que para sempre será Pequeno para mim, foi algo forte e incrivelmente necessário... Alvin, que descobri hoje dia 12 significar 'ilustre amigo'... Pequeno...
Experimentei o extremo da raiva, que foi catapulta para a primeira cena. Foi forte. O grito rasgando o corpo... Como flecha... Viver o telefonema da paixão, a ida ao hospital, foi muito forte... um duelo entre Kaio que não queria reviver a cena de chegar ou hospital e encontrar a pessoa que ama imóvel, e Alvin/Pequeno que queria ter certeza de que não era verdade... Desespero... Impotência... Medo... Ninguém pode saber a dor que a gente sente, dor que dilacera, que rasga seu corpo, quando você encontra a pessoa que você ama, que sempre esteve presente em sua vida, em silêncio, imóvel, coberta por um lençol, e você infantilmente chamar por essa pessoa e você não ter em resposta o seu sorriso... É gente, dói muito... Eu sei...

O ensaio/remarcações
Foi muito bom esse trabalho inicial para dar força para a cena. A dramaturgia aconteceu e se consolidou de forma mais firme, orgânica... Foi cansativo, corpo e mente, reviver e reorganizar, porém extremamente gratificante...

Despedida
Alvin seguiu andando pelo trilho do trem... mudado... crescido... forte... e eu... também...


Big, valeu mesmo...
#farinhada #4%

Quarta-feira (13) tem mais ensaio. Quinta-feira (14) ensaio geral com técnica.

kaiogomesbergamin


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Só Pequeno...

E se eu não acordasse amanhã de manhã?
Tenho um desejo mórbido, sombrio que repentinamente apareceu. Seri ótimo, seri fácil, seria justo!
Desejo a morte, como um derradeiro beijo poético descrito por Shaekespeare, que me levaria direto para o mundo novo, talvez em um sonho, talvez em vida...






quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hoje

 E se eu não acordasse amanhã de manhã?
Tenho um desejo mórbido, sombrio que repentinamente apareceu. Seri ótimo, seri fácil, seria justo!
Desejo a morte, como um derradeiro beijo poético descrito por Shaekespeare, que me levaria direto para o mundo novo, talvez em um sonho, talvez em vida...
Eu sempre me preocupando, sempre ajudando, sempre querendo o melhor para os outros, sou jogado num abismo de esquecimento e incertezas por todos aqueles que me rodeiam... Não quero mais! Quero dormir! Quero voar em sonho sem que minhas asas sejam imobilizadas... Ninguém me entende, ninguém nunca me entendeu, é mais fácil me culpar e apontar meus erros do que minhas qualidades, que começo a desconfiar ter. Raios caindo na minha cabeça, enquanto a escrita se torna meu para-raio!
Desejo uma bebida fatal, que me leve em sonho...
Quero voar...
Quero acreditar em milagres!
Quero acreditar que ser feliz é possível...
Mas hoje não! 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tenho medo das noites frias... Nunca gostei muito delas. As noites geladas, quando o vento corta a pele como uma navalha afiada, são aquelas que mais medo me causam... Sempre que elas aparecem, trazendo no ar um prelúdio receoso, temo que algo ruim aconteça. Antes, levaram pessoas de perto de mim, romperam laços com sua lâmina breve.
Quando elas aparecem, fico... Ali... Olhando para o horizonte desejando mais um dia de sol, ou quem sabe uma fagulha que quebre a escuridão glacial. Tenho medo dessas noites...


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Só...


Não demora, eu vou estar de volta, porque voltar sempre acaba sendo a melhor saída, o melhor caminho, a minha certeza. Às vezes, me sinto preso em um labirinto e sempre acabo encontrando aquilo de que eu tanto quero fugir. Não demora. Como se algo estivesse errado, como se o curso escolhido pudesse ter outro desfecho, como se...  E se? E se a bela adormecida tivesse escolhido dormir o máximo pra poder ficar acordada o resto da vida? Se o João tivesse deixado uma trilha de pão propositadamente, pra não ter de voltar para casa com sua irmã? Acho que tudo no mundo é um grande ‘e se?’.
Não sou pessimista ou um daqueles fatalistas, menos ainda um desses filósofos de banheiro, só pondero os fatos, peso, repeso, analiso custo e benefício. Vale mesmo a pena fugir disso? Se quanto mais eu corro, mais eu me aproximo de... Não demora muito...
Quiçá outra escolha, outra forma, outro, outra... Estou me aproximando novamente, e isso é comum... Meus dias tem sido iguais, numa rotina frenética de correr, cair, voltar, falar... Verbos não conjugados, no infinitivo, e  que pela ideia de infinito me assustam com essa constância de re – viver, fazer, descobrir – E Hoje eu só queria sair, só, fugir de mim um pouco... E não demora!

terça-feira, 1 de maio de 2012

DÉSIR


Alors, j'ai mis ma tête dans un cadre parfait pour mes illusions. La lumière a ouvert lamaison de la petite, il voulait partir. «Si j'avais su ce que je sais»Entre rêves et les désirs, les amours et de passions, de rencontres et d'adieuxla viedouce petite est composé d'un flux lourd et constant, douce et attentiveTourbillon à travers une obscurité absoluefort de chanter notre chanson, vous vous souvenez? Orascomme un masque, le miel, je vous prie vraiment petiteRappelant les événements quimène éventuellement à une sortieune lumière, l'apothéose poétique ... Vous voulezchanger le mondenous aider tous à dire des choses à vous sentir rassasié et d'être heureuxLe petit qui n'est pas fragile, dansant sa profanation à la recherche d'une lumière ...

(kaio gomes bergamin)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Hoje...

To ficando doente e isso me deixa rabugento, logo tudo vai me estressar demais, incluindo você!
Se ao menos eu pudesse extirpar (nossa que palavra forte) essa dor que eu sinto.
Quero saber, ainda mais rabugento como estou, o porque tudo me irrita... Quero só ir para a minha casa e ficar de molho. Quero esquecer de mim e me entregar ao nada existencial, sem preocupações com onde e oque. Quero deixar de mim. Quero deixar que essa última gota de esperança escorra pelo ralo do chuveiro e me deixe, assim como acontece com frequência. É fácil me deixar, não dói, não em quem vai.
Me deixa, mi deixo...
E você fala, fala, fala, fala, fala... e eu silêncio porque me/mi machuca...
E eu to ficando bem mal... Estou com aquela sensação de calor e dormência pelo corpo, tipico de quando estou doente...
Estou cansado de ser forte, estou cansado de ajudar as pessoas, estou cansado de ter sempre que ser aquele que teve qualidades, aquele que sempre foi alegre... Eu só quero me afundar nesse poço escuro e ficar lá até eu ficar melhor... eu preciso sumir, preciso...
Preciso para voltar a acreditar que viver vale a pena, preciso para voltar a acreditar em mim, preciso só para me sentir vivo de novo.Não quero mais acordar no meio da noite chamando minha mãe e passar o resto da noite com medo do escuro porque minha mãe tá lá em casa longe de mim. Eu só quero...
Quero que dê certo, quero pelo menos uma vez acertar... Mas se eu errar, eu vou tentar, de novo e de novo... Mas agora eu só quero afundar, chorar e ficar quieto.
Amanhã eu melhoro... Sempre foi assim.
(kaio gomes bergamin)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Presente...

Em 2009 trabalhei em uma escola da rede municipal de ensino da cidade de Timbó, em Santa Catarina, como professor de Artes do Ensino Fundamental. Lá conhecia todos os funcionários e me relacionava bem com cada um. Meus pais sempre me ensinaram a tratar todos com educação e respeito, e assim eu sempre fiz. Nesta escola tinha uma faxineira, uma senhorinha quieta, que andava mancando e sempre de cabeça baixa. Eu sempre brincava com todos os funcionários e com ela não era diferente. Aos poucos ela foi se soltando mais, conversando mais e nos tornamos amigos de trabalho. Nesse turbilhão que é a vida, eu me mudei, ela se mudou e acabamos nos perdendo...
Ontem a noite, minha irmã (que está trabalhando como agente de saúde) contou-me que foi atender uma família e lá morava essa senhorinha que eu conheci. Minha irmã disse que ela não precisou dizer nada aquela senhorinha, porque ela reconheceu minha irmã e disse que eu (kaio) sou uma pessoa especial, porque eu mudei a vida dela, eu ensinei que todos somos iguais e que devemos tratar todos com respeito, e que graças a mim hoje ela era mais feliz... Eu fiquei realmente chocado com o ocorrido, porque, eu sempre pensei em mim como uma nada, uma pessoa comum, e que nunca poderia tocar e mudar assim a vida de alguém. E hoje estou muito mais feliz e leve, por saber que eu, assim sem querer, mudei a vida dessa senhorinha, e por isso me sinto assim, mais especial. Se eu ajudei e mudei a vida dela no passado, hoje ela me deu esse enorme presente para mim, a certeza de que eu sou especial, de que eu posso ajudar as pessoas... Estou mais leve, estou feliz... Minha existência não foi em vão!

sexta-feira, 16 de março de 2012

PianoPianoPianoPiano...


Eu tô ouvindo, acho que pela milionésima vez a mesma balada melosa e imbecil... Tocada no piano, sem voz... Fico imaginando mil e uma possibilidades de letras que possam se encaixar na melodia, mas sempre caio nas mesmas obviedades bucólicas e saudosas, onde princesas choram a falta de seu príncipe encantado, enquanto seus príncipes fogem com uma vagabunda qualquer... Não é assim? Não, agora as princesas não são mais tolas como nos contos de fadas, elas não esperam pelo príncipe... Esperam pelo vampiro, que venha e lhes dê oque elas mais querem, a imortalidade. E a vagabunda é só aquela menina que na verdade sabe oque quer da vida, mas no mundo do faz de conta, isso é pecado, então a consideram uma transviada que decidiu pelo caminho torto [ou certo?!] Não sei!
Estou cansado dos clichês... Mas que posso eu querer se o mundo é repleto deles? Que posso fazer se eu mesmo sou um enorme e redundante clichê que vasculha incansavelmente sua lista de músicas e cai sempre na mesma baladinha de instrumental piano? Sou mais um... Ridículo... Mas não um ridículo qualquer, porque ouço a mesma música incansavelmente – e ela recomeça mais uma vez – enquanto me conformo em não esperar o amor me encontrar. Dedilho por entre o escuro do quarto, palavras de uma mente insanamente inquieta e disposta a dialogar e questionar e se entregar ao absinto de viver.
Me inebria... E a música vai chegando ao fim mais uma vez... Me deixa completamente tonto... Com os dedos inflamados de tanta vontade de escrever, com os olhos ansiosos por ver ainda oque não vi e na boca o suspiro desejoso de descobrir uma nova melodia para a minha vida. Parece que acompanho o ritmo da música com minhas letras digitadas...
E na boca um suspiro desejoso... Viu acabei de cair na obviedade, no irreal/real faz de conta que engloba essa tola vida... Acho que assim como a música que começou de novo, acabo repetindo, redundando entre coisas que eu não queria redundar, mas que nesse círculo vicioso tendem a retornar como uma ciranda da vida.
Ok... É o cúmulo do besteirol... Pateta demais... Otimista [?] demais! Últimos acordes... Dessa vez eu paro, dessa vez eu mudo de música, mudo de texto, recrio uma ideia, algo que finalmente possa acalentar minha alma e meu...
Droga... Começou denovo... Como eu faço pra parar de sempre repetir [eu ou a música?]
Respiro fundo... Pausa... Penso nisso tudo... E ela acaba de novo! [a música ou a ideia?!]
Silêncio... Preciso de outra música, quem sabe eu escolha uma boa, uma melhor, que realmente signifique algo pra mim.
Aqui [instrumental piano]
Milionésima e algumas vezes... [pateticamente redundante]
(kaio gomes bergamin)