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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Fênix...

Estava tudo mudando. 
Aquele menino de antes, nunca mais seria o mesmo depois dessa jornada percorrida. Nunca tendo vivido nesta vida algo parecido, entregou-se plenamente, baixando a guarda, mostrando-se frágil.
Ele deveria saber que isso não daria certo. A Vida já havia lhe mostrado várias vezes seu poder destruidor, talvez como penitência, talvez como aviso de que no final tudo dará em nada. Mas ele já ferido tantas outras vezes, pensou que o Destino pudesse ter intercedido por ele, dizendo a vida que o jovem já havia sofrido demais e que ele merecia algo bom, feliz, para sempre. Mas o para sempre, acaba. E a Vida é uma caixinha de surpresas, cheia de armadilhas...
Ingênuo ele seguiu nessa jornada, com sorriso franco de um rapaz novo, encantado no auge de seus vinte e poucos anos de amor.
Viveu tanto nesses poucos anos, intensificando um sentimento escondido nele: ajudar e ser para os outros, esquecendo-se de si mesmo, sempre pensando no bem dos outros...
Isso nunca foi bom, mas aos poucos ele está aprendendo...
Nessa jornada ele chega então a encruzilhada derradeira.

Decepção. Dor. Mágoa.
E aquilo que parecia ser mais-que-perfeito, está desfeito.
Pensa. Repensa. Fala e decide.
De repente fez-se triste o que se fez amante.
Fica o dito pelo redito pelo não dito, em sua confusão emocional.

Pois é.
Sozinho.

Segue, só... Diferente, mudado, magoado. Trazendo a marca da vida em seu corpo, andando sob os olhos atentos do destino. Segue sendo consumido pela Vida. Cada passo o sufoca. Ardendo queimando. Então, como uma represa transbordante que se rompe por força da pressão, a arte lava sua alma, o faz renascer num apogeu de uma formosa fênix. Esse caminho parece ser um caminho que só poderá ter um desfecho... Caberá a Vida ou ao Destino decidirem, porque ele já não tem mais forças para isso. E enquanto ambos decidem o que será do jovem, ele permanece sendo consumido pela vida, transformando-se em arte pelo destino, como uma fênix que renasce e que converte sua dor.
A vida o consome e ele converte-se em arte.
Segue, leve... Até a próxima armadilha da Vida ou da intercessão do Destino.
(KAGB)

sábado, 21 de setembro de 2013

Medo...

Qual é o motivo dessa inquietação?
Porque seu coração está assim apertado e ameaçando transbordar?

Pressentimentos, coisas que permeiam sua cabeça ingênua, facilmente iluminada pelas cores de um futuro ruim impedem as cores de um futuro bom de fixarem-se. Descolorir essas imagens seria uma boa opção, e lavar sua mente com uma límpida água de esperança poderia ser uma solução.

Lava mas não tira a marca deixada pelo medo do que ele pode ver.

A Rainha Guerreira, estava precisando da sua ajuda e ele não sabia mais o que fazer para ajudar, porque a Rainha sempre fora seu espelho, sua guia, sua melhor amiga e agora depois de tudo, estava sucumbindo às provações do senhor Tempo. O tempo resolve tudo, dizem... Mas o Tempo só lhe dá tempo para você mesmo conseguir resolver suas aflições. E a Rainha, de olhos d'água vertia rios tristonhos, e seu sorriso primaveril chegara agora ao ápice do inverno.

Como fazer a Rainha redescobrir a força para mover e viver?
E aí Tempo? Será que você pode ajudar dessa vez?

Desejando o nascer do sol...


sábado, 14 de setembro de 2013

Encontro de PRIMAVERA...

O salão estava caótico. Risos. Pessoas. Dança.
Escutava as conversas paralelas sem prender-me de fato. Segui andando em direção à saída, precisava conseguir ouvir minha voz, reconhecer-me em meus pensamentos. Cheguei a varanda e ousei sentar na beirada do telhado, por ser um lugar isolado e calmo. Sempre tive medo de altura, mas a essa altura do momento, queria somente respirar e me ouvir. O ar frio soprava em minha pele, aliviando a ansiedade juvenil pulsante dentro de mim. Olhei para o céu, num azul profundo hipnótico. Surpreendi-me brincando de  desenhar no céu, como se todas as estrelas formassem um enorme liga-pontos, criando e recriando formas. Algumas vezes precisava mudar o rumo do traço por conta de algumas estrelas que, sacanas, teimavam em cair do firmamento. Uma delas, muito brilhante e amarela, chamou-me a atenção. Olhei-a caminhando, caindo em direção ao chão, deixando no céu seus últimos rastros de vida. Lembrei-me então do motivo de eu estar ali, sentado na beira do telhado.
Aquele sufoco dentro do salão estava me consumindo. Precisava sair de lá e sentir-me inteiro.
Algo estava muito estranho, errado, como se eu fosse um enorme quebra cabeças a ser completado, mas aonde estariam as peças faltantes? Desci do telhado e lentamente voltei para dentro do salão, andando preguiçosamente por entre aquelas pessoas sufocadas nelas mesmas e que nem ao menos notaram que eu passava em um ritmo diferente do habitual delas. Saí.
Olhei para o céu e vi o rastro deixado por aquela estrela e decidi segui-lo. Não tinha mesmo para onde voltar. Caminhei até avistar o sol nascer e com ele todo o mundo iluminar-se. Caminhei por tanto tempo que estava com saudades do calor do sol. Já não havia mais rastros de estrelas para seguir. Sentei-me e decidi para qual caminho seguir.
Esquerda.
Caminhei.
Pouco tempo depois, percebi que em algumas árvores no caminho tinham em seus galhos algumas fitas desgastadas pelo tempo. Fitas amarelas. Fui tomado por um desejo forte de descobrir qual seria o caminho apontado por aquelas fitas amarelas. Segui à passos largos percebendo que cada passo dado mais fitas amarelas surgiam.
Por fim cheguei a um enorme carvalho todo decorado com aquelas fitas amarelas. Sorri como se aquela imagem me fosse conhecida, como se eu soubesse o motivo de aquelas fitas estarem cuidadosamente amarradas nos galhos do carvalho. Caminhei um pouco mais e cheguei a uma campina, com várias margaridas plantadas e mais fitas amarelas. Ao centro da campina havia um chalé com uma chaminé que soltava fumaça denunciando que havia alguém ali dentro.
Criei coragem e andei em direção ao chalé, percebendo que nele também haviam fitas amarelas. Pensei que possivelmente a pessoa responsável por amarrar aquelas fitas morasse ali. Entrei. Havia um cheiro de café fresquinho, uma mesa com vários papéis escritos. Cartas? Palavras escritas na paredes, portas e janelas, foi quando senti uma lágrima escorrendo de meu olho e ouvi alguém dizer:
- Que bom que você voltou. Cumpri minha promessa, amarrei fitas amarelas para contar o tempo em que você ficou fora e agora, você está aqui, de volta!
Suspirei e senti o quebra-cabeça ser completado pouco a pouco.
- Desculpe-me mas não consegui escrever mais para você, porque acabaram-se os papéis e depois minhas mão não suportavam mais. Mas nunca parei de prender as fitas amarelas. Que bom que você voltou, agora sim estamos na Primavera.
Aproximando-se de mim, concluiu o quebra-cabeça encaixando a última peça que faltava. Beijou-me os lábios e pude sentir toda a verdade daquele amor.
Olhei em seus olhos e sorri. disse-lhe:
- Desculpe a demora...
- Venha, vamos tomar um café e viver nossa Primavera.
Encontrei aquilo que me faltava.
Sorri e entreguei-me.
Leve.

domingo, 8 de setembro de 2013

Desabafo...

Meu bem...

Gastei muito tempo tentando entender e digerir tudo o que aconteceu. Demorei para entender que aquilo que antes estava reluzente à muitos meses tinha se tornado somente um feixe fraco de luz. Eu, talvez por medo, de perder ou do novo, tentei com todas as forças manter a luz acesa. Me exauri. Por que não há como manter vivo algo que morreu a muito tempo. É triste, mas demorei para entender que antes de mais nada eu estava desistindo de mim, tudo para manter algo que eu já não tinha mais interesse nem força de sustentar. Porque sustentei sozinho.
Você, com suas mentiras, enganações, egoísmo e traição, fez escolhas para o seu bel prazer, sem pensar nas consequências que elas acarretariam. Sinceramente, eu não acho que mereci isso de você, porque tratar de tal forma vil alguém que só quis seu bem é muita maldade. Sofri. Chorei. No começo pensei que a separação seria ruim, mas logo depois percebi como isso seria bom para mim. Obrigado por isso. E fico feliz em ver que você, mesmo sem saber, partiu me fazendo um bem danado. Não vou dizer que estou contente com isso, mas entendo que foi o melhor.
Você me decepcionou demais é verdade,  mas apesar de tudo eu ainda me importo com você, por que eu sou assim, por que eu amo você. Quero o seu bem e o melhor para você, mesmo que não esteja perto, de longe vou estar cuidando de você.
Começamos como 'inclassificáveis', por não saber como nomear aquele sentimento bom e terminamos da mesma forma que começamos, 'inclassificável', sem saber classificar a mudança.
Mudança... Tudo está mudando agora. Um antigo eu, que estava adormecido, está despertando, alimentado por altas doses de alegria e felicidade como não havia experimentado antes. Estou leve.
Estou reaprendendo a viver, a me encantar com cada detalhe da minha vida e das pessoas que estão fazendo parte da minha vida.
Mas mesmo seguindo adiante e apesar de tudo, sinto saudades de você. Um saudoso sentimento dos momentos bons e daquilo de bom que vivemos juntos. Espero que você esteja bem. Quando precisar estarei aqui.
Até.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Tigre...

Era uma vez... É assim que começam os contos de fadas, não é?! Pois com este não seria diferente, embora não seja um conto de fadas. 
Era uma vez um Tigre sonhador e um Cachorrinho encantador. Eles se viram numa noite de inverno, com o vento embalando o sentimento que crescia pouco a pouco naqueles jovens corações ansiosos de amor. Descobriram-se almas gêmeas. 
O Tigre, que já havia passado por momentos ruins preso num circo escuro de tristezas e desilusões, e sentia-se feliz por ter encontrado um amor, e dizia "tenho meu sol particular". O  Tigre só parecia ser uma fortaleza, mas na verdade, por dentro ele era sensível, era pequeno como um "tigrito". Toda vez que o medo e a incerteza ou lembranças do passado lhe assombravam, o Tigre aconchegava-se no peito caloroso de sua metade o Cachorrinho, seu sol particular, encontrando no abraço quente o alento que precisava para manter-se vivo, seu combustível era aquele amor e se refugiava dentro daqueles olhos sinceros.
Na primavera, tudo floresce, assim como aquele amor inocente e puro, colorido por margaridas e sorrisos. Floresceu também um medo do rumo, da intensidade daquela paixão, tão jovens... O vento primaveril arrastou todo o medo para longe deles, revelando um céu de possibilidades e oportunidades. E caminhavam assim. Tigre e Cachorrinho, tão diferentes... Mas eles se completavam, combinavam, e correndo pelo mundo, despreocupados permitiam-se viver esse amor... Amavam-se. Bastava.
Com a chegada do outono, as coisas começaram a mudar. E isso não era bom.
O Tigre aprumou-se, desesperado tentando entender o que acontecia, tentando manter aquele amor que existia. O Tigre chorava em silêncio, incapaz de conseguir mudar o rumo da história. Entendeu, tarde demais, que ele já não era mais suficiente para seu amor. E doeu. Perceber que o que era importante tornava-se banal. Mas o teimoso e esperançoso o Tigre tentou segurar entre suas patas aquele fragilizado amor. E tentou com todas as forças. Numa tentativa vã de não perder aquilo que era tão importante.
Chorou... Rezou e pediu ajuda, foi quando Gaia surgiu, preocupada com o pequeno Tigre. Gaia lhe disse que às vezes, precisávamos abrir nossa mão, ou pata no caso do Tigre, e deixar cair oque deveria cair, pois só assim seria possível colhermos o tanto de coisas boas que o universo tem para nos oferecer. Ele sentiu novamente o vento frio do inverno soprar. O  Tigre chorou e Gaia enxugou suas lágrimas, então ele abriu suas patas. E isso doeu mais do que a morte. E ele viu o seu amor cair, viu seu sol particular partir deixando somente o escuro e o frio. E ele não estava mais acostumado a sentir frio. O único calor que ele sentia agora era de suas lágrimas que pingavam no chão. Gaia o consolando, disse que ele poderia chorar, que ele era sensível e deveria permitir-se sentir e expressar isso. O Tigre chorava mais desesperançoso. Seu soluçar ecoava dentro de seu corpo, então Gaia pediu que o Tigre não deixasse seu coração endurecer jamais, pois isso seria um caminho sem volta. 
Enxugando suas lágrimas, o Tigre olha para Gaia e lhe diz que seu coração não poderia endurecer pois ele não estava mais em seu peito. Quando seu Sol (o Cachorrinho) partiu, havia levado consigo o coração do Tigre, que agora olhava para o enorme vazio em seu peito tentando preencher aquele espaço com algo que não fosse sua tristeza.
Tigre saiu caminhando pelo frio com os olhos baixos e lacrimejados, deixando para trás suas pegadas e um rastro de lágrimas tentando preencher o vazio com a esperança de um dia sentir seus coração bater novamente em seu peito.

(KaioArmandoGomesBergamin)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Mar...

Aquela cena era o desfecho de tudo. De repente, as letrinhas começaram a subir, as luzes começaram a se acender, e eu estava lá, sentado na plateia vendo a imagem daquele mar até tudo escurecer. Fechei meus olhos e senti que nada mais estava igual como era antigamente, e que aquele fim não era o ideal, não era certo, não era justo. Não tenho poder para controlar como tudo terminará. Mas estava lá, sentindo um pouco daquele mar saindo dos meus olhos. Desejando que tudo pudesse ser diferente.

Nossa vida é como uma praia... Talvez seja uma comparação clichê e talvez alguém já o tenha usado antes... Tudo bem, nossa vida é recheada de clichês. O movimento da água do mar é muito parecido com nossa vida, horas nos banha com calma, horas com tamanha intensidade que abala nossas estruturas. E entre cada onda, forte ou fraca, existe o repuxo do mar, que leva da gente algo ou alguém, fazendo com que tenhamos que nos adaptar. Mas, para tudo que perdemos existe uma compensação, uma nova onda que nos banha com tantas outras coisas...
Assim é nossa vida, marolas, tsunamis... Ondas... de cores, gentes, letras, formas...

Mas quando vem o repuxo? Tudo se perde? O que fica de tudo isso? As lembranças que construímos, tudo que fizemos, como um enorme livro registrando o nosso VIVER. Muitos livros permanecem inacabados, ou sem uma continuação de sua saga. Mas estão ali, escritos, marcados na alma para sempre. Escritos na alma.

Sinto o repuxo... Dói demais... Por favor, não demore a vir próxima onda. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Paradoxos...

Se eu pudesse coloriria o mundo, com cores vívidas, sorrisos e toda lágrima seria de alegria, e a saudade seria curada toda vez que sentíssemos o cheiro do bolo da vovó e do café fresquinho que só ela sabe fazer... Idealizações...Se eu pudesse não sofrer seria melhor.
Ser feliz é difícil... Mas se fosse fácil, teria a mesma graça?
Paradoxos.
Amar machuca... Não amar, também...
O passado me traz uma lembrança, saudosa que agora fica dolorosa. Vida, leva-me daqui...