O salão estava caótico. Risos. Pessoas. Dança.
Escutava as conversas paralelas sem prender-me de fato. Segui andando em direção à saída, precisava conseguir ouvir minha voz, reconhecer-me em meus pensamentos. Cheguei a varanda e ousei sentar na beirada do telhado, por ser um lugar isolado e calmo. Sempre tive medo de altura, mas a essa altura do momento, queria somente respirar e me ouvir. O ar frio soprava em minha pele, aliviando a ansiedade juvenil pulsante dentro de mim. Olhei para o céu, num azul profundo hipnótico. Surpreendi-me brincando de desenhar no céu, como se todas as estrelas formassem um enorme liga-pontos, criando e recriando formas. Algumas vezes precisava mudar o rumo do traço por conta de algumas estrelas que, sacanas, teimavam em cair do firmamento. Uma delas, muito brilhante e amarela, chamou-me a atenção. Olhei-a caminhando, caindo em direção ao chão, deixando no céu seus últimos rastros de vida. Lembrei-me então do motivo de eu estar ali, sentado na beira do telhado.
Aquele sufoco dentro do salão estava me consumindo. Precisava sair de lá e sentir-me inteiro.
Algo estava muito estranho, errado, como se eu fosse um enorme quebra cabeças a ser completado, mas aonde estariam as peças faltantes? Desci do telhado e lentamente voltei para dentro do salão, andando preguiçosamente por entre aquelas pessoas sufocadas nelas mesmas e que nem ao menos notaram que eu passava em um ritmo diferente do habitual delas. Saí.
Olhei para o céu e vi o rastro deixado por aquela estrela e decidi segui-lo. Não tinha mesmo para onde voltar. Caminhei até avistar o sol nascer e com ele todo o mundo iluminar-se. Caminhei por tanto tempo que estava com saudades do calor do sol. Já não havia mais rastros de estrelas para seguir. Sentei-me e decidi para qual caminho seguir.
Esquerda.
Caminhei.
Pouco tempo depois, percebi que em algumas árvores no caminho tinham em seus galhos algumas fitas desgastadas pelo tempo. Fitas amarelas. Fui tomado por um desejo forte de descobrir qual seria o caminho apontado por aquelas fitas amarelas. Segui à passos largos percebendo que cada passo dado mais fitas amarelas surgiam.
Por fim cheguei a um enorme carvalho todo decorado com aquelas fitas amarelas. Sorri como se aquela imagem me fosse conhecida, como se eu soubesse o motivo de aquelas fitas estarem cuidadosamente amarradas nos galhos do carvalho. Caminhei um pouco mais e cheguei a uma campina, com várias margaridas plantadas e mais fitas amarelas. Ao centro da campina havia um chalé com uma chaminé que soltava fumaça denunciando que havia alguém ali dentro.
Criei coragem e andei em direção ao chalé, percebendo que nele também haviam fitas amarelas. Pensei que possivelmente a pessoa responsável por amarrar aquelas fitas morasse ali. Entrei. Havia um cheiro de café fresquinho, uma mesa com vários papéis escritos. Cartas? Palavras escritas na paredes, portas e janelas, foi quando senti uma lágrima escorrendo de meu olho e ouvi alguém dizer:
- Que bom que você voltou. Cumpri minha promessa, amarrei fitas amarelas para contar o tempo em que você ficou fora e agora, você está aqui, de volta!
Suspirei e senti o quebra-cabeça ser completado pouco a pouco.
- Desculpe-me mas não consegui escrever mais para você, porque acabaram-se os papéis e depois minhas mão não suportavam mais. Mas nunca parei de prender as fitas amarelas. Que bom que você voltou, agora sim estamos na Primavera.
Aproximando-se de mim, concluiu o quebra-cabeça encaixando a última peça que faltava. Beijou-me os lábios e pude sentir toda a verdade daquele amor.
Olhei em seus olhos e sorri. disse-lhe:
- Desculpe a demora...
- Venha, vamos tomar um café e viver nossa Primavera.
Encontrei aquilo que me faltava.
Sorri e entreguei-me.
Leve.
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sábado, 14 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Desabafo...
Meu bem...
Você, com suas mentiras, enganações, egoísmo e traição, fez escolhas para o seu bel prazer, sem pensar nas consequências que elas acarretariam. Sinceramente, eu não acho que mereci isso de você, porque tratar de tal forma vil alguém que só quis seu bem é muita maldade. Sofri. Chorei. No começo pensei que a separação seria ruim, mas logo depois percebi como isso seria bom para mim. Obrigado por isso. E fico feliz em ver que você, mesmo sem saber, partiu me fazendo um bem danado. Não vou dizer que estou contente com isso, mas entendo que foi o melhor.
Você me decepcionou demais é verdade, mas apesar de tudo eu ainda me importo com você, por que eu sou assim, por que eu amo você. Quero o seu bem e o melhor para você, mesmo que não esteja perto, de longe vou estar cuidando de você.
Começamos como 'inclassificáveis', por não saber como nomear aquele sentimento bom e terminamos da mesma forma que começamos, 'inclassificável', sem saber classificar a mudança.
Mudança... Tudo está mudando agora. Um antigo eu, que estava adormecido, está despertando, alimentado por altas doses de alegria e felicidade como não havia experimentado antes. Estou leve.
Estou reaprendendo a viver, a me encantar com cada detalhe da minha vida e das pessoas que estão fazendo parte da minha vida.
Mas mesmo seguindo adiante e apesar de tudo, sinto saudades de você. Um saudoso sentimento dos momentos bons e daquilo de bom que vivemos juntos. Espero que você esteja bem. Quando precisar estarei aqui.
Mas mesmo seguindo adiante e apesar de tudo, sinto saudades de você. Um saudoso sentimento dos momentos bons e daquilo de bom que vivemos juntos. Espero que você esteja bem. Quando precisar estarei aqui.
Até.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
O Tigre...
Era uma vez... É assim que começam os contos de fadas, não é?! Pois com este não seria diferente, embora não seja um conto de fadas.
Era uma vez um Tigre sonhador e um Cachorrinho encantador. Eles se viram numa noite de inverno, com o vento embalando o sentimento que crescia pouco a pouco naqueles jovens corações ansiosos de amor. Descobriram-se almas gêmeas.
O Tigre, que já havia passado por momentos ruins preso num circo escuro de tristezas e desilusões, e sentia-se feliz por ter encontrado um amor, e dizia "tenho meu sol particular". O Tigre só parecia ser uma fortaleza, mas na verdade, por dentro ele era sensível, era pequeno como um "tigrito". Toda vez que o medo e a incerteza ou lembranças do passado lhe assombravam, o Tigre aconchegava-se no peito caloroso de sua metade o Cachorrinho, seu sol particular, encontrando no abraço quente o alento que precisava para manter-se vivo, seu combustível era aquele amor e se refugiava dentro daqueles olhos sinceros.
Na primavera, tudo floresce, assim como aquele amor inocente e puro, colorido por margaridas e sorrisos. Floresceu também um medo do rumo, da intensidade daquela paixão, tão jovens... O vento primaveril arrastou todo o medo para longe deles, revelando um céu de possibilidades e oportunidades. E caminhavam assim. Tigre e Cachorrinho, tão diferentes... Mas eles se completavam, combinavam, e correndo pelo mundo, despreocupados permitiam-se viver esse amor... Amavam-se. Bastava.
Com a chegada do outono, as coisas começaram a mudar. E isso não era bom.
O Tigre aprumou-se, desesperado tentando entender o que acontecia, tentando manter aquele amor que existia. O Tigre chorava em silêncio, incapaz de conseguir mudar o rumo da história. Entendeu, tarde demais, que ele já não era mais suficiente para seu amor. E doeu. Perceber que o que era importante tornava-se banal. Mas o teimoso e esperançoso o Tigre tentou segurar entre suas patas aquele fragilizado amor. E tentou com todas as forças. Numa tentativa vã de não perder aquilo que era tão importante.
Chorou... Rezou e pediu ajuda, foi quando Gaia surgiu, preocupada com o pequeno Tigre. Gaia lhe disse que às vezes, precisávamos abrir nossa mão, ou pata no caso do Tigre, e deixar cair oque deveria cair, pois só assim seria possível colhermos o tanto de coisas boas que o universo tem para nos oferecer. Ele sentiu novamente o vento frio do inverno soprar. O Tigre chorou e Gaia enxugou suas lágrimas, então ele abriu suas patas. E isso doeu mais do que a morte. E ele viu o seu amor cair, viu seu sol particular partir deixando somente o escuro e o frio. E ele não estava mais acostumado a sentir frio. O único calor que ele sentia agora era de suas lágrimas que pingavam no chão. Gaia o consolando, disse que ele poderia chorar, que ele era sensível e deveria permitir-se sentir e expressar isso. O Tigre chorava mais desesperançoso. Seu soluçar ecoava dentro de seu corpo, então Gaia pediu que o Tigre não deixasse seu coração endurecer jamais, pois isso seria um caminho sem volta.
Enxugando suas lágrimas, o Tigre olha para Gaia e lhe diz que seu coração não poderia endurecer pois ele não estava mais em seu peito. Quando seu Sol (o Cachorrinho) partiu, havia levado consigo o coração do Tigre, que agora olhava para o enorme vazio em seu peito tentando preencher aquele espaço com algo que não fosse sua tristeza.
Tigre saiu caminhando pelo frio com os olhos baixos e lacrimejados, deixando para trás suas pegadas e um rastro de lágrimas tentando preencher o vazio com a esperança de um dia sentir seus coração bater novamente em seu peito.
(KaioArmandoGomesBergamin)
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Mar...
Aquela cena era o desfecho de tudo. De repente, as letrinhas começaram a subir, as luzes começaram a se acender, e eu estava lá, sentado na plateia vendo a imagem daquele mar até tudo escurecer. Fechei meus olhos e senti que nada mais estava igual como era antigamente, e que aquele fim não era o ideal, não era certo, não era justo. Não tenho poder para controlar como tudo terminará. Mas estava lá, sentindo um pouco daquele mar saindo dos meus olhos. Desejando que tudo pudesse ser diferente.
Nossa vida é como uma praia... Talvez seja uma comparação clichê e talvez alguém já o tenha usado antes... Tudo bem, nossa vida é recheada de clichês. O movimento da água do mar é muito parecido com nossa vida, horas nos banha com calma, horas com tamanha intensidade que abala nossas estruturas. E entre cada onda, forte ou fraca, existe o repuxo do mar, que leva da gente algo ou alguém, fazendo com que tenhamos que nos adaptar. Mas, para tudo que perdemos existe uma compensação, uma nova onda que nos banha com tantas outras coisas...
Assim é nossa vida, marolas, tsunamis... Ondas... de cores, gentes, letras, formas...
Mas quando vem o repuxo? Tudo se perde? O que fica de tudo isso? As lembranças que construímos, tudo que fizemos, como um enorme livro registrando o nosso VIVER. Muitos livros permanecem inacabados, ou sem uma continuação de sua saga. Mas estão ali, escritos, marcados na alma para sempre. Escritos na alma.
Sinto o repuxo... Dói demais... Por favor, não demore a vir próxima onda.
sábado, 3 de agosto de 2013
Paradoxos...
Se eu pudesse coloriria o mundo, com cores vívidas, sorrisos e toda lágrima seria de alegria, e a saudade seria curada toda vez que sentíssemos o cheiro do bolo da vovó e do café fresquinho que só ela sabe fazer... Idealizações...Se eu pudesse não sofrer seria melhor.
Ser feliz é difícil... Mas se fosse fácil, teria a mesma graça?
Paradoxos.
Amar machuca... Não amar, também...
O passado me traz uma lembrança, saudosa que agora fica dolorosa. Vida, leva-me daqui...
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Torrente...
- Eu sabia que era besteira comer aquela última esfirra... Adoro mesmo comer esfirras, principalmente por conta de seu tempero. Gosto mesmo é de pingar gotas de limão porque isso deixa seu paladar mais saboroso ainda. Mas eu falava... Ah, sim, que eu tinha comido demais. Até porque eu já tinha comido demais mesmo, e não sei se foi por gula, ou o que, que me fez continuar a comer. Na verdade sei sim.
Seu olhos, lindos e verdadeiros me prendiam a atenção, seu sorriso, sua presença, sua voz criaram entre nós uma aura magnética, tornando assim impossível de eu me desprender, e eu nem queria sair. E tem ainda seu vibrato quando canta, e nossa você canta muito bem e atua muito bem. Eu, como sempre, em situações onde houvesse muito sentimento ou mesmo ansiedade, perco a noção do mundo e não consigo agir coerentemente. Dou risada como um abestalhado, fico vermelho a cada sorriso, não consigo formular uma frase coerente e rio de nervoso. Por isso para manter a minha boca ocupada com algo que não seja falar, desembestei a comer esfirras... Na real eu tenho conteúdo, sabe?! Consigo mesmo sustentar um conversa inteligente. Mas... Não precisava de mais nada naquele momento, se não aproveitar sua presença. Era mágico, simples e completo. Mas isso não poderia ficar assim por muito tempo, até porque eu passaria por um descontrolado por comida, com um fetiche por esfirras que não consegue conjugar um verbo no presente do indicativo. Eu bem que te falei da primeira vez que eu não sou bom com palavras. Não sei porque estou assim, ou porque a sua presença me afeta tanto assim. Me afeta no bom sentido. Fico feliz com isso. E agora você tá aí, olhando pra mim, como se eu fosse maluco, mas eu não sou maluco, juro! Só queria mesmo dizer isso, que na verdade eu não consigo dizer e que agora estou me arrependendo de ter começado a dizer... Isso que eu nem falei de como gosto do calor do seu corpo, que parece um sol, meu sol particular. Nossa eu falei isso mesmo? Sou um abestalhado mesmo... Mas a verdade é que você é a melhor parte de mim. Será que tem mais esfirra?... Eu poderia enfiar umas quinze na boca, de uma vez para impedir mais palavras de sair, e assim você não me olharia assim pasmo desse jeito. Ai meu deus, eu não consigo me expressar direito, acho que deveria fazer umas aulas de teatro para ver se consigo, ou talvez um psicólogo me ajude a entender isso que eu não sei dizer... Falei de psicólogo? Garçom! Pelo bem da minha sanidade, traga uma bandeja de esfirras...
- Não! Não faça isso. Quero continuar ouvindo você falar. É bonito, sincero.
- Ai você tá com pena, né? Eu sei... Eu não deveria ter começado isso, eu deveria ter tentado entender tudo isso antes, porque eu ainda não consigo entender, talvez porque seja inclassificável e que...
- Isso é amor!
- (pausa dramática, olhos esbugalhados, coração para por cinco segundos. Esqueci como se respira! Só falta essa mesmo, morrer aqui e agora... Respira... Respira... Amor... É isso! Ai, volta a respirar)
- Olha para mim... Eu amo você seu idiota.
- Eu amo você também.
- Vamos tomar um sorvete, ou prefere esfirra?
- O sorvete é gelado, e eu sou friorento.
- Não tem problema, eu te mantenho aquecido. Vem comigo?!
- Eu amo você.
- Eu amo você.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Linhas...
No começo eu achei que entendia, fiz cara de que com o tempo tudo se ajeitaria. Levantei a cabeça e segui... Segui em direção a próxima queda, a próxima dor. É tão clássico dizer que o ser humano cresce com suas dores e são elas que nos tornam melhores... Se fosse assim, eu teria quinze metros de altura e seria tão melhor quanto Madre Tereza. Pois é... Mas a vida não é justa e os sofrimentos nem sempre nos fazem pessoas melhores. Eu realmente estou lutando, eu realmente estou ousando. Me falaram que devemos seguir nossos sonhos, trilhar nosso caminho, para que um dia olhemos para trás e nos orgulhemos do nosso passado, mas no atual momento meu passado é fragmentado, repleto de faltas. Mesmo agora prestes a...
Penso em mil coisas, meu tempo ritmo é muito mais acelerado e consigo dentro desse limitado corpo, abrigar um milhão de sentimentos. Coisas minhas que tentei abrir e compartilhar, mas não deu muito certo. Sabe, aprendi que não podemos ser cem por cento honestos, porque a maioria das pessoas não quer ouvir a verdade porque isso não alimenta os egos famintos de elogios e fama. A maioria gosta de ilusões e de sorrisos daqueles de propaganda de creme dental. Banalidades. O mundo é repleta delas... Cerimônias de banalidades. E mesmo eu tentado fugir do banal, agora quase me torno banal prestes a...
Sempre que sofro me refugiei nas palavras. Sempre escrevi para tentar botar meus pensamentos em ordem, para me entender, para desabafar. Funciona como uma válvula de escape, entende? Certo, fiquei muito tempo sem por em palavras minhas dores, aflições e alegrias. E o resultado disso não foi muito bom porque... Bem, sinto falta de escrever, assim como sinto falta de eu pequeno. De um Eu que tinha como preocupação ser feliz. Mas assim como tudo muda - veja, mais um clichê - eu mudei. Passei por baixos, muito baixos e altos e baixos de novo e altos outra vez. Tomei decisões ruins, outras melhores...
Saí de casa em busca de um sonho, deixando o que era seguro e me aventurando, me atirando nesse abismo que é viver... E agora sinto que o impacto com o solo seja eminente. Só queria que não doesse e que não tivessem pedras, mas como podemos adivinhar como será?! Vejo linhas cor de vinho e penso em preenchê-las com palavras novas, com canções, até mesmo com lágrimas. Porém estou seco, além das lágrimas... Não consigo mais chorar. Mesmo quando estou sofrendo com essas linhas não preenchidas que partem de mim.
Não choro, meus olhos estão molhados, mas é por causa do chuveiro ligado. Sempre gostei de banhos demorados, porque na falta de escrita, a água me consolava, limpando a alma... E agora ela limpa minhas tão estimadas linhas mal escritas. Sempre gostei das reticências pela sua possibilidade de um fim aberto ou que possa haver uma continuação, e agora minhas linhas se transformam em várias reticências... É uma pena que eu não tenha dado orgulho a quem me amava, é uma pena que eu não tenha conseguido fazer feliz que eu amei, é isso que mais me dói, saber que não fui suficiente... E agora não resta muito a fazer, não é mesmo. Meu corpo está quente por conta da água do chuveiro, meus dedos murchos, e o coração insistente a batucar...
Dizem que ninguém é uma folha em branco, que temos toda a carga emocional e cultural impregnada em nossa pele e que com o tempo compomos as informações nessa folha que é a vida, mas... Quando há ausência de vida, aí sim nos tornamos uma folha em branco, pálida, lívida... No meu caso vazia... Não tenho forças para segurar minhas palavras porque o corte no punho é fundo demais e minhas linhas já saem fracas... Queria tanta coisa ainda... Mas dizem que há outra vida, e desejo que sim, porque para muitos viver é algo tão bom, tão feliz e gratificante, que seria injusto eu não poder experimentar essa sensação.
Sinto que meu corpo agora está frio. Penso em quem eu amo. Escuto o tilintar da lâmina no azulejo do banheiro enquanto meu corpo flutua para a escuridão. Espero mesmo não ter caído em um clichê de despedida, espero mesmo que seja uma moratória para uma outra chance de SER.
O corpo pesado, o peito leve e a vontade de ter sido diferente. Sinto um nó na garganta, uma lágrima presa nos olhos. Ainda havia um último sentimento guardado aqui dentro, enfim. Esperança? Não sei, deixo isso para você decidir o que lhe agrada mais. Se um dia nos encontrarmos em outro plano ou em outra vida, você me conta, se por acaso se lembrar...
(kaio armando gomes bergamin)
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