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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Torrente

Tudo seria mais simples se nossa vida fosse como nos contos de fada... Se ao acordarmos, passarinhos cantores entrassem em nosso quarto e nos ajudassem a trocar de roupa... Se o príncipe encantado estivesse te esperando montado num cavalo branco, ou dentro de um volvo prata, tanto faz, até parado em pé em sua frente com aquele sorriso maravilhoso, sua calça jeans azul e seu all star nos pés... E o amor fosse o combustível do mundo, as pessoas cuidando de suas vidas e fazendo o bem... Estudar, ler um livro embaixo da sombra de uma árvore, banhos de chuva ou de cachoeira e ganhar a vida honestamente fosse simples como o sorriso de uma criança pequena. E se todo por do sol fosse brindado com um beijo apaixonado...

Mas aí você sangra... E isso é ruim... Você sangra pra ser lembrado que é real, que você vive em um mundo falho, onde as pessoas constroem suas casas no alto, isoladas, para se protegerem - de que mesmo? - mas acabam se esquecendo das paredes, e tudo a sua volta o expõem, frágil, um nada... Cada um lutando para tentar viver... Estresse, poluição, mentiras, pessoas cuidando mais da vida dos outros do que da sua própria vida! Pelo amor comprem um gato e cuidem das sete vidas que ele tem, será que é o bastante?

Segundas chances nunca importam, porque as pessoas não mudam... Você é enganado, acredita em um sentimento, em uma vida e descobre que você não significa nada... Você se sente pequeno... E aí chove, e você não quer se entregar a chuva... Vem o por do sol e você espera pelo beijo... Anoitece e você deseja os pássaros cantores pra te ajudarem a vestir o pijama, espera um SMS do príncipe, espera... espera... espera que seja real seu mundo de ilusões, seu mundo de sonhos... Espera mais que tudo Ser feliz plenamente, de verdade...

Boa noite? Alguém responde?
Estou só?
Chove...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Coração...

Ansiando por um sopro de vida, ele se entorpece tentando substituir aquilo que lhe falta. Por hora estará completo, cheio. Quando o torpor passa, e a realidade torna a ecoar pelo peito vazio, o arrependimento aparece. A culpa por tentar, em vão, substituir um sentimento por uma mentirosa ilusão semelhante o conduz a refletir. Pensamentos. Caos. Medo. In-Certezas. Enxergando algo sem ver, percebe-se lívido e pétreo, e lhe o corre a dúvida de quanto tempo ele permaneceu assim. É difícil lembrar como se mexer. Seus pensamentos ecoam por seu corpo. Anseia ainda por algo que não consegue ter. Sua expressão transforma-se revelando a dor que sente por não ter respostas às suas perguntas... Está vazio... Mas se ele esboça claramente sua dor, é sinal que há algo dentro dele que possa responder às perguntas. Formula as perguntas. Repensa. Cria situações imaginárias. Percebendo que todas estas divagações não conduzem a caminhos palpáveis é tomado por uma torrente de sentimentos, e a ansiedade é latente. Sentimentos? Todo esse tempo imerso em pensamentos, ele esquece de ouvir e sentir, de parar e se permitir. E sente em seu peito não o vazio, mas sim uma explosão. Assustado, os olhos arregalados sente novamente a explosão. Uma explosão que não destrói. Explode mais forte. Mais Forte. Mais Forte. Seu corpo de repente perde a lividez, é aquecido por algo que percorre cada espaço imóvel. Explode, mais devagar, com ritmo. Enquanto ele ansiava por um sopro de vida, substituindo essa vida por respostas passageiras, ele se esqueceu de se dar tempo, de respeitar seu tempo, e entender que toda esta vida estava dentro dele o tempo todo, mas por ele ser incrédulo demais, cético demais, não tinha como acreditar que poderia ser assim, simples, natural, ao alcance de suas mãos. Explode. Vida enfim. Sentimentos percorrem seu corpo. Então levado por este sentimento, com o corpo repleto da vida que ele tanto procurava, leva suas mãos ao peito e sente a explosão, sente o pulsar da vida, recheando seu corpo de força para conseguir se levantar e criar seu trajeto. Explode! Em suas mãos sente a força e percebe que tudo pelo que ele ansiava estava com ele desde o início, calado por sua incapacidade de perceber o poder que estava dentro dele. Então ele se descobre... E descobre o coração!(kaio gomes bergamin)

foto de Kerol Bergamin

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Compondo

Come Home (One Republic com Sara Bareilles)

Fiz uma livre adaptação em português... =D


Volte Para Casa

Olá Mundo
Espero que me escute
Me perdoe o atrevimento
E por falar a verdade
Ali está alguém que eu estava com saudades
Eu penso que poderia ser
A melhor parte de mim
Está tentando fazer a coisa certa
Mas estou cansando de me justificar
Então eu digo que você irá...
Voltar para casa
Voltar para casa
Porque eu espero por você
Todo esse tempo
Todo esse tempo
E agora há uma guerra entre as vaidades
Mas tudo que vejo é você e eu
Lutando pelo que sempre quis
Então volte...
Oooh
Eu estou perdido, na beleza
De tudo que eu vejo
O mundo não é tão mau
Como todos dizem ser
Se todos os homens
Se todas as mulheres
Parassem para compreender isso
Esperançosamente, o ódio diminuíria e o amor começaria
Isso pode ser agora... Yeahh
talvez, eu esteja apenas sonhando alto
Até lá
Volto para casa
Volto para casa
Porque eu estive esperando por você
Todo esse tempo
Todo esse tempo
E agora há uma guerra entre as vaidades
Mas tudo que vejo é você e eu
Lutando pelo que sempre quis
Sempre soube
Então volto pra casa
Oooh
Tudo o que eu não posso ser
É tudo o que você deveria ser
E é por isso que eu preciso de você aqui
Tudo o que eu não posso ser
É tudo o que você deveria ser
E é por isso que eu preciso de você
Então me escute, agora
Volte para casa
Volte para casa
Porque estou esperando por você
Todo esse tempo
Todo esse tempo
E agora há uma guerra entre as vaidades
Mas tudo que vejo é você e eu
Lutando pelo que sempre quis
Eu sempre soube...
Então volte para casa
Volte para casa.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Caminhos

A Crise é um rito de passagem...

Assim como tantos outros ritos que temos que passar pela nossa vida.
Eventuais lágrimas surgem nesses momentos de passagem, de transição,
E uma profunda reflexão se estabelece dentro de nós.
Nos reinventamos, nossa alma se fecha para balanço, nosso coração se descompassa, sai do ritmo e nós ficamos aturdidos, dentro do olho desse furacão.

E passa...

Muitas vezes demora...
Muitas vezes nos revela coisas que pensávamos não sermos capazes de fazer.
Muitas vezes nos apresenta pessoas fundamentais em nossa vida
Muitas vezes amigos que estarão sempre conosco, nos brigadeiros de microondas e comidas apimentadas.
Muitas vezes amigos que se vão mas que deixam sua marca, seu cheiro e sabor, e mudam nossa vida de tal forma que é impossível esquecer.

E ficam guardados em nosso coração.
Nosso registro, nosso fichário interno.
E descobrimos, crise... Denovo.
Como diz na música: "mas nada vai conseguir mudar oque ficou, quando penso em alguém, só penso em você e aí então estamos bem..."

E nos reinventamos...
recriamos um 'EU' melhorado
Vivenciado e experimentado
"EU" com permissão de SER!

Mesmo que em uma crise...
Mesmo que em dor...
Mesmo que sorrindo...
Mesmo que...

E passa... Eu sei...

Bons artistas estão sempre em crise,´é isso que diferencia seu trabalho.
Quando se questiona sobre sí, sobre sua arte,
E reflete...
Na crise ele se descobre, se permite, se reinventa
E melhora
Sua arte e seu EU

(Kaio Gomes Bergamin)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Aurora

Ia entardecendo
Estava esperando
Mas de trevas se cobriu o céu, deixando turva a vista do caminho a seguir.

Mergulhado na escuridão, percebo-me chuva
Tormenta...

Inquieto repouso
Magoado, lutando desesperadamente pela vida
Rompendo o laço
Abrindo os olhos em chuva e enxergo
Nada

Chove...

Mas eis que uma luz surge clara e quente ao longe
Estaria em uma terra distante?
A terra Prometida?!
Uma possibilidade...

Passa a noite, vem chegando a aurora
Hora de arrumar as coisas
Hora de pensar em mim, justo eu que sempre pensei nos outros

Caminho

Garoa...

Foto de Gabbi Ern

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Acontecimentos...

Fato.
o Pequeno repousa inquieto.

Sozinho neste processo, revejo e recrio, monto e desmonto alguns detalhes do pequeno...

Sem vontade de escrever...

Isto posto, despeço-me...
por hora

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ócio Criativo...

aspirações literárias não totalmente reprimidas...
outra música?
quem sabe...


Minha cabeça cheia de ideias
Vontade de nem sei...
Engarrafamento
Congestão
Confuso Fluxo...

Quero ser o que penso
Penso oque? Sou quem quero?
Rascunhado soneto
Shaekesperiano
Rodrigueano

Tragédia em um ato
De humor negro
Piada interna do que sou
E com toda essa torrente
Verbalizada
O verbo se confunde na conjugação

Passado do presente
Indicativo do futuro
Se, si, consigo mais que perfeito
conjugado em que pessoa?

Onde fico na grafia?
Sou primeira, segunda ou terceira?
No singular ou acompanhado?
Arte final, rascunho de estar
Tentando encontrar um sentido, um abrigo

Ser humano, ser artista
Sabor e som
Compositor repentista
Vulcão de sentimentos
Salto para o meio da vida

Teatro improvisado
Espetáculo em andamento
As luzes se acendem
Percebo-me atuante
SOU!

(Kaio Gomes Bergamin)